Uma câmera fotográfica perdida no mar e a vontade de devolver ao dono mobilizaram um casal de Mato Grosso do Sul na última semana. Foram dois dias de divulgação na internet até que a arquiteta Angélica Jacob Saliba e o marido Marcos Vinicius de Paula encontraram o dono da GoPro recuperada no mar, em Alagoas. Um brasileiro que mora nos Estados Unidos tinha perdido o equipamento há 6 meses.

“Foi surpreendentemente rápido. Ficamos bobos. Amigos e a família pensavam que seria muito difícil, mas a gente tinha certeza que encontraria o dono desde a hora que achamos no mar. Algumas pessoas falaram que a gente só estava querendo devolver a câmera porque tínhamos uma igual.  Engano delas, desejamos muito ter uma um dia, mas por méritos nossos”, contou Angélica, que mora em Campo Grande.

Ela disse ao G1 que postou na internet na sexta-feira (10) a selfie tirada pelo dono da câmera e pediu para a família e amigos compartilharem. Em menos de 24 horas, foram mais de mil compartilhamentos e 800 curtidas. Em um dos comentários, um rapaz reconheceu o homem da foto como primo dele, marcou o perfil do dono da câmera e horas depois ele entrou em contato com Angélica.

“Primeiro entramos em contato com a GoPro, que informou que pelo número de série da câmera que não havia registro da perda dela naquela região. Meu marido twittou a foto porque ele não tem Facebook e eu resolvi postar no Face só na sexta porque não havia obtido resultado. A princípio, nem a família queria compartilhar, tivemos que forçar. Ninguém acreditava que podíamos encontrar. Depois foi só ganhando força os compartilhamentos e geral pegou amor e a torcida cresceu e deu certo. Para nossa alegria”, lembrou.

Achados e perdidos
E foi pela internet que o G1 conversou com o dono da câmera nos Estados Unidos. O brasileiro Cley Melo perdeu a GoPro em novembro de 2015 e o equipamento foi encontrado pelo casal sul-mato-grossense no dia 20 de maio de 2016, na praia Costa Dourada.

Máquina ainda com material do fundo do mar (Foto: Angélica Saliba/ Arquivo pessoal)
Máquina ainda com material do fundo do
mar (Foto: Angélica Saliba/ Arquivo pessoal)

O casal de Campo Grande fazia um passeio de buggy pelas praias de Maragogi quando avistou a câmera no fundo do mar durante um mergulho. “Lá a água é cristalina, o fundo do mar é bem branquinho e a maré estava baixa, então foi bem fácil de ver a câmera ali a menos de um metro de profundidade”, explicou Angélica.

Ela lembra que um filme passou na cabeça nesse momento, mas a única certeza era a vontade de encontrar o dono.

“Foi engraçado, porque a gente passou o começo do ano querendo comprar uma GoPro pensando em usar na viagem, mas não deu certo e não conseguimos. Parece que Iemanjá trouxe pra gente. A gente também perdeu uma câmera na primeira viagem de casal que fizemos, há oito anos, e nunca mais encontramos. Na hora veio aquele sentimento de lembrar e em momento nenhum a gente duvidou que encontraria”, lembrou.

Devolução
Na mensagem enviada para Angélica, o dono da câmera mandou agradecer a atitude. “Oi, sou eu o ‘famoso’ da GoPro. Muito obrigado mesmo, falo por mim e pela humanidade. Minha fé na bondade do ser humano foi restaurada. Além do material tem as memórias capturadas nos vídeos e fotos que não têm preço”, disse Cley.

Primo reconhece rosto da foto (Foto: Reprodução/ Facebook)
Primo reconhece rosto da foto (Foto: Reprodução/ Facebook)

A câmera agora vai ser enviada para o primo de Cley, que mora no Recife, e que o visita frequentemente. Angélica e o marido vão guardar a experiência como sensação de dever cumprido.

Fazer o certo
Para a arquiteta, fazer o bem, o que é correto, vai além de cumprir leis e viver em sociedade. “Minha mãe sempre dizia que é mais feliz quem doa do que quem recebe. Então estamos realmente eufóricos. Quem sabe com essa experiência a gente muda um pouco o que as pessoas pensam e como agem quando encontram o que não é delas. Alguns automaticamente pensam que se acharam são os novos donos, nem pensam que podem procurar e entregar de volta. Não deu trabalho nenhum fazer uma postagem na internet e pedir para o pessoal compartilhar. Talvez isso abra a cabeça das pessoas um pouco”, finalizou.