Aquele ensino tradicional vivenciado por décadas nas escolas brasileiras divide espaço agora com um novo tipo de aprendizado. Nessa nova grade curricular, além da matemática e do português, ciência, tecnologia e inovação estão sendo ensinadas não só na teoria, mas também na prática.

Lidar com esses temas com os “nativos digitais”, segundo o professor do Colégio Loyola Carlos Freitas, tem sido um sucesso. “Eles já nasceram em meio a essa lógica digital, e a linguagem é mais global até do ponto de vista dos recursos de idiomas”, avalia.

Freitas coordena o núcleo de inovação e empreendedorismo no colégio e é responsável pelo projeto Inovação Loyola (iLO), que, em parceria com o Núcleo de Inovação da Fundação Dom Cabral, está na segunda edição. A ideia do iLO foi inspirada nos programas Harvard Innovation Lab, dos Estados Unidos, e Cambridge Innovation Center, do Reino Unido.

Um dos frutos desse programa é um repelente natural contra o mosquito Aedes aegypti desenvolvido pelos gêmeos Otávio Lucas e Arthur Geovane Rodrigues. O produto feito à base de álcool, cravo e citronela vem sendo testado e demonstrando bons resultados, tanto para ser usado no corpo como em ambientes. “Um empresário usou na empresa dele durante mais ou menos um mês e gostou. Estamos tentando acrescentar plantas como hortelã e lavanda para melhorar o cheiro de sauna, muito forte”, disse Otávio.

Outra equipe de alunos pensou em algo para melhorar o transporte para a escola: um aplicativo de caronas para famílias do Loyola, conforme explica o aluno do segundo ano do ensino médio, Helton Vieira Fernandes Júnior, 16. “Os alunos participam de muitas atividades extracurriculares e, às vezes, chegam a perder essas aulas porque não têm ninguém para levar ou buscar. Com o aplicativo, a maioria dos pais ficaria mais tranquila de deixar o filho pegar carona”, diz.

A ideia é usar a localização do celular pra fazer um raio de rastreamento das pessoas que estão próximo e criar pontos de carona nas grandes vias que chegam ao Loyola. A ferramenta está em fase de criação de um protótipo, mas já despertou o interesse de empresas ligadas à tecnologia da informação.

Neste ano, dos 62 projetos inscritos entre os alunos com idades entre 12 e 17 anos, nove foram selecionados. Desde então, os 40 alunos participam de atividades que os auxiliarão em seus projetos, como visitas a startups e palestras. O objetivo é aprender a tirar a ideia do papel, criar um modelo de negócio, usar ferramentas de gestão e aprender a fazer estudos de mercado.

“Usamos como critérios de seleção a inovação, a utilidade na vida real, ser ético e exequível, ou seja, não pode ser impossível de se tornar produto ou serviço”, diz Freitas.

MERCADO

Projetos não ficam na escola

Apesar do sucesso do programa de incentivo à inovação, o professor e coordenador do iLo, Carlos Freitas, garante que o colégio não tem interesse comercial, pois não é sua atividade fim gerar produtos e serviços que não sejam a educação.

No entanto, Freitas reconhece que os alunos têm total liberdade para procurar incubadoras e continuar o projeto fora do ambiente escolar, uma vez que o iLo acompanha os estudantes apenas durante um ano.

“No ano passado, uma empresa procurou um aluno que bolou um aplicativo de logística de transporte rodoviário para usar caminhões com espaço ocioso”, lembra. (LM)