O acirrado mercado de transporte de passageiros em Belo Horizonte vai ganhar um novo concorrente até o fim deste mês: a empresa espanhola Cabify, que oferece serviço semelhante ao do Uber. Dois representantes da corporação chegaram a Belo Horizonte na semana passada e preparam o cenário para que o primeiro time de condutores comece a operar.

O modelo a ser lançado é o Cabify Light, serviço semelhante ao do Uber, e a tarifa será 10% a 15% mais barata do que a do táxi e de 10% a 15% mais cara do que a do Uber.

O valor, ainda não definido, mas será por quilômetro rodado e não pelo tempo de viagem, o que é vantagem para o passageiro que fica preso em engarrafamentos, por exemplo. Em BH, já são mil candidatos a parceiros cadastrados.

De acordo com o gerente da Cabify Brasil, Daniel Valazco-Bedoya, cerca de mil motoristas já manifestaram interesse, pelo site da empresa, em se credenciar na capital. A Cabify começou a atuar em 2011 em Madri, na Espanha, com foco no transporte privado para corporações. Ficou conhecida, inicialmente, por fornecer choferes de luxo por meio de um aplicativo. Em 2012, expandiu o serviço para a América Latina, onde hoje está concentrada.

A cobrança será feita por quilômetro rodado, enquanto outros serviços cobram também por tempo de viagem, e o cálculo será feito com base na rota mais curta entre as opções dadas pelo aplicativo. “Nossos diferenciais serão a qualidade e a segurança”, disse o gerente. Ele informou que haverá rigor na contratação de motoristas. Além de exigir que ele apresente antecedentes criminais, a Cabify cobrará também exame toxicológico, para avaliar dependência química, e psicométrico, que analisa aspectos psicológicos.

Os veículos aceitos para o serviço deverão ser modelo sedan, com menos de cinco anos de uso, e não há exigência de cor. A empresa ficará com 25% do valor da corrida paga e o depósito na conta do motorista será semanal.

O motorista poderá rodar quantas horas quiser, mas a empresa tem preferência pelos que trabalharem por mais de 6 horas. O parceiro terá de passar por exames toxicológico, psicométrico, para avaliar o motorista psicologicamente, o carro passará por vistoria e o condutor também será avaliado por notas dos clientes. O teste de direção também deverá ser adotado no Brasil.

“Eu brigo por um público que é mal atendido pelo Uber. Pretendemos oferecer uma qualidade de serviço melhor”, disse o gerente da Cabify Brazil, Daniel Velazco-Bedoya. O tempo de atendimento do cliente não deve demorar mais do que cinco minutos, garante.

De acordo com Daniel, o serviço começou em São Paulo no último dia 6 e, no Rio de Janeiro, no início de agosto. Em Porto Alegre, veículos do Cabify Brazil começaram a circular na sexta-feira da semana passada. A empresa foi criada em 2011 em Madri, na Espanha, com transporte executivo e de luxo de passageiros, e passou a atuar na América Latina em 2012.

No Brasil, foi lançada em 6 de junho deste ano, em São Paulo (SP). Em 10 de agosto, foi a vez do Rio de Janeiro (RJ), durante os Jogos Olímpicos, e sexta-feira passada, de Porto Alegre (RS).

O que diz quem já atua na praça

Uber. A empresa informou que, como atuante na área de tecnologia, vê a competição no setor como algo positivo, já que permite ao usuário e ao motorista parceiro terem mais escolhas sobre como se locomover pelas cidades e gerar renda.

Segurança. O Uber informou ainda que exige antecedentes criminais e carteira de motorista com licença para exercer atividade remunerada (EAR). Não são exigidos exames toxicológicos nem psicológicos.

JUSTIÇA

Liminar para atuar é uma possibilidade

A Cabify informou que avalia se entrará na Justiça para obter liminar que impeça a polícia de apreender os veículos, como fez o Uber. Sem essa “proteção” da Justiça, vários motoristas de aplicativo tiveram o carro apreendido em Belo Horizonte nos últimos meses, principalmente no caminho para o Aeroporto Internacional de BH, em Confins, na região metropolitana.

Enquanto isso, os taxistas cobram fiscalização. Os conflitos entre as categorias resultaram até em um condutor do Uber esfaqueado no mês passado, na capital.

O gerente da Cabify Brasil, Daniel Valazco-Bedoya, disse, entretanto, que a proposta não é segmentar o mercado. “Queremos atuar próximo ao governo e às entidades de classe, como taxistas, e buscar soluções para a cidade”, concluiu.

Taxistas. O sindicato da categoria informou que qualquer aplicativo é bem-vindo, desde que seja regulamentado e fiscalizado. “Caso contrário, vejo um sucateamento do sistema de transporte”, disse Ricardo Faedda, o presidente.