Por Redação

Foi encontrado morto por volta das 12h deste sábado (26), em Belo Horizonte (MG), o policial civil Lucas Gomes Arcanjo. De acordo com sua família, que falou ao JORNAL CORREIO ELETRONICO, Arcanjo foi encontrado na janela de seu quarto com uma gravata amarrada no pescoço.

O policial, que estava afastado por licença médica, tomava antidepressivos. Os familiares, entretanto, não acreditam na hipótese de suicídio uma vez que suas condições físicas não o permitiriam se enforcar, ainda mais com uma gravata.

Arcanjo tinha dificuldades para andar e usava muletas devido a uma sequela deixada por um dos quatro atentados que sofreu, desde 2002, como suposta retaliações às denúncias que o tornaram famoso.

O policial havia sofrido quatro atentados por conta das denúncias que fazia abertamente. Um deles o deixou com sequelas na perna, e ele passou a depender de uma bengala para se locomover.

Lucas havia publicado novos vídeos na noite desta sexta-feira criticando o Judiciário e a mídia. “Está uma hipocrisia tão sufocante que está incomodando. Eu não consigo nem mais comer direito. No meu caso, então, está dificil, é muita perseguição. Perseguição cínica, perguntas que deixam a gente perplexo”, diz em um trecho.

Com muita revolta, o investigador cita que tinha provas de todas as acusações que fazia, mas “vocês não querem ver as provas”. “Eu estou angustiado, estou a ponto de… sei lá, sabe, partir desse país e não voltar mais. Estou irado com tanta coisa que eu estou vendo que estou perdendo as estribeiras, Bom, gente, vou para de falar senão vou ter um infarto aqui”, conclui o último vídeo publicado em sua página no Facebook, às 19h36.

A atriz Tássia Camargo, que entrevistou Lucas certa vez, publicou um vídeo no Facebook afirmando que não acredita em suicídio e pediu que seja feita uma investigação séria sobre o caso. “Fica aqui minha indignação, minha tristeza, e um abraço à família. Vamos averiguar”, disse.

A morte de Lucas foi divulgada por familiares em sua página na rede social, bem como informações sobre o enterro.

Pelas redes sociais, o policial postava vídeos em que denunciava cacíques tucanos de Minas Gerais com uma atenção especial ao senador Aécio Neves. De acordo com o policial, que já chegou a denunciá-lo e entregar provas na Corregedoria da Polícia Civil, o tucano estava envolvido em uma série de irregularidades que iam desde lavagem de dinheiro, desvio de recursos públicos e até associação com o narcotráfico.

“Um playboy, um viciado, um bandido”, dizia em seus vídeos, que até hoje não surtiram nenhum tipo de investigação mais profunda.

“Desde 2002 as denúncias sempre pararam por que era de interesse do governo [na época comandado pelo próprio Aécio Neves]. Sempre as denúncias estavam ligadas a órgãos e empresas do governo”, explicou em um dos seus vídeos explicativos.

Pelo Facebook, o deputado estadual Durval Angelo (PT-MG) lamentou a morte do policial.

“Sem dúvida, uma perda imensurável para todos os que lutam por uma sociedade mais justa, sobretudo, nestes tempos sombrios de atentado à democracia. Mas Lucas não se foi. Permanece vivo no exemplo que nos deixa como seu grande legado”, escreveu o parlamentar.