FOTOGRAFIAS COM TÉCNICAS DO SÉCULO XIX ESTÃO NA MOSTRA

DE ALÊ FONSECA E MARCELO KRAISER

 

A exposição “Sombras que ficam”, segue em cartaz na cAsA – Obras Sobre Papel até o dia 18 de janeiro, quando acontece o lançamento do catálogo, às 20h. O interesse comum pela imperfeição,afinidades estéticas e a admiração mútua levaram os artistas Alê Fonseca e Marcelo Kraiser a assinarem juntos a mostra.

Com curadoria de Susan O. Campo e texto crítico da professora doutora Maria do Céu Diel de Oliveira, a esposição reúne mais de 30 trabalhos, entre individuais de cada artista e obras produzidas a quatro mãos, especialmente para a ocasião. São fotografias realizadas com técnicas do século XIX, que têm um processo lento: as imagens são feitas uma a uma e reveladas de maneira artesanal, o que possibilita interferências do tempo e gera imperfeições.

“Temos uma atração mútua pelo estrago, pelo mofo, nesses trabalhos há uma desobediência tecnológica que nos interessa. A matéria-prima veio de acervos nossos, alguns negativos do século passado… Mas também fizemos fotos juntos, com câmeras de grande formato (8×10). Trabalhamos em linhas distintas, porém com um diálogo muito interessante”, conta Alê Fonseca.

O convite para a exposição em dupla veio de Alê, que já conhecia o trabalho de Kraiser, um dos pioneiros dessa técnica no Brasil. “Com essa proposta revisitamos o meu acervo e escolhemos juntos. Sou admirador do trabalho do Alê, tanto musical quanto visual e a diferença de geração entre nós não interferiu, há uma confluência, por isso deu tão certo. Não temos um apreço a fotografias bonitas, flagrantes… O atraente dessa técnica é estarem sujeitas a deformidades e isso, sim, nos prende”, explica Marcelo.

Convidada a escrever sobre a mostra, Maria do Céu conclui “como todos os artistas, perguntaram às sombras suas histórias e lhes deram vozes: no silêncio de suas respostas, encontraram o caminho de volta ao presente do passado, nosso lugar, um sempre presente ontem, agora aqui”.

Marcelo Kraiser (1952) é natural de Belo Horizonte, poeta, fotógrafo, desenhista, músico, ilustrador, construtor de instrumentos sonoros, professor e doutor em Letras. Alê Fonseca (1989) também é natural de Belo Horizonte, tecladista e sintetista, fotógrafo e gravador.

 

SERVIÇOS

Exposição “Sombras que ficam”, por Alê Fonseca e Marcelo Kraiser

  • Curadoria: Susan O. Campo
  • Visitação: até 18 de janeiro.
  • Local: cAsA – Obras Sobre Papel (Avenida Brasil, n° 75).
  • Horário de Funcionamento: segunda a sexta-feira, das 10 às 19h.
  • Sábado, das 10 às 14h.
  • Informações: (31) 2534-0899
  • Entrada Gratuita.