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O Museu Inimá de Paula recebe até domingo, dia 30, a exposição “Destilado a Seco – quando o preto é luz, quando a luz é fogo, quando o queimado é vivo”, do artista plástico mineiro Marcus Amaral. Com influência da estética construtivista, a mostra traz obras que tencionam a relação entre o universo da razão e dos sentidos. Nela, o fogo é utilizado como ferramenta de transformação das peças e o resultado é uma serie de arranjos tridimensionais com texturas e impressões sensoriais que desafiam o visitante a repensar os usos dos objetos, a infinitude de suas formas e um mergulho nas possibilidades.

As visitações podem ser feitas nas terças, quartas e sextas-feiras e sábados das 10h às 18h30, nas quintas de 12h às 20h30 e aos domingos e feriados de 10h às 16h30. O Museu Inimá de Paula tem sua manutenção patrocinada pelo Banco Santader através de incentivos da Lei Rouanet. O espaço se localiza na R. da Bahia, 1201, Centro.

REALIDADE VIRTUAL

A exposição contará com uma experiência de realidade virtual desenvolvida pela ReVirtua,  que preparou um ambiente digital com alguns dos quadros do artista, onde o público poderá andar livremente. Para desenvolver os espaços em realidade virtual foi necessário digitalizar os quadros do artista, que originalmente possuem menos de um metro quadrado, e transformá-los em um ambiente de mais de quinhentos metros quadrados. Além disso, foi desenvolvido um breve documentário em 360°, o qual Marcus fala sobre seu processo criativo em seu ateliê.

SOBRE O ARTISTA

Nascido em Divinópolis-MG, em 1963, no ano de 1980 Marcus Amaral mudou para Belo Horizonte, para cursar as Faculdades de Engenharia Civil e Belas Artes simultaneamente. Aparentemente distantes, as áreas da lógica e da criatividade se uniram para formar uma trajetória artística muito particular e coerente. Utilizando maçarico, soprador de calor, serras, furadeiras para transformar os materiais do nosso cotidiano (linhas, acetato, madeira, jornal, papel de revistas, prego, parafusos, embalagens longa vida, fio de nylon, fios de aço, lamina de alumínio), que deslocados do seu habitat natural criam elementos inusitados que são ordenados de forma ritmada e dão vida as telas-esculturas.

O fogo, e a fumaça são uma constante em suas obras, a madeira, o papel e o plástico queimados, de uma forma conduzida pelo artista, transformam em elementos curiosos ao olhar. A obra tem objetivo de instigar e gerar questionamento sobre a técnica e o tipo de materiais usados, deixando a cargo do público a dúvida do que é realmente descartável. O artista acredita que existe possibilidade em quase tudo, nada é essencialmente perdido, demonstrando que somos imersos num mundo de possibilidades.

O seu trabalho definitivamente quer se mostrar abraçado na terceira dimensão, ele adquire volume deixando de ser apenas um quadro, ganhando status de tela-escultura. Acreditando que os sonhos, fantasias e os sentimentos são mais fáceis de serem expostos quando colocados em caixas, o artista busca um cenário real do imaginário já que vivemos na tridimensionalidade. Para isso, trabalha os objetos do nosso dia a dia, dando-lhes novos sentidos e uma nova estética e assim cria uma relação intima e permanente com a criação. O artista quer buscar através da arte o que transcende dos materiais. A sua referência vem do cotidiano e a principal fonte de pesquisa são os seus sentimentos.

Marcus Amaral foi diagnosticado com Mal de Parkinson em 2010, quando possuía 47 anos, sendo um catalisador para o retorno do artista, de forma definitiva, para o universo da arte. O processo de criação tornou-se um aliado no tratamento e controle da doença. e para dar mais sentido ao seu trabalho, Marcus reverte todo lucro da venda de sua obra para instituições de caridade.