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O reajuste na conta de energia no início do ano
em 23,4% assustou muitos consumidores

Conta-de-Luz

 Empréstimos contraídos pelas distribuidoras entre 2010 a
2013 podem ter influenciado no aumento da
conta de luz
 

 

*Felipe José de Jesus (JCE)
Foto:  iStock)

 

No entanto, como se não bastasse esse acréscimo, o Banco Central (BC) divulgou no dia 12 de março uma projeção de crescimento nada animadora para os consumidores brasileiros em 2015.  De acordo com o BC, o reajuste nas tarifas poderá chegar a 40%, segundo ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). O reajuste está bem acima do que foi previsto na ata anterior de janeiro, que apontava um crescimento médio de 27,6%. Para especialistas do setor, os dados divulgados não contemplam a real situação do setor elétrico e alguns experts acreditam que o aumento no decorrer do ano pode chegar a 60%.

Em entrevista, o economista, administrador e professor Roberto Nogueira,  explica que o aumento na energia elétrica citado pelo BC afetará diretamente no bolso dos consumidores. Além disso, ele adiciona que os empréstimos feitos pelas distribuidoras de energia oneraram o setor. “O que sabemos é que as distribuidoras de energia tomaram durante 3 anos, quase R$ 20 bilhões em empréstimos que terão que ser pagos ainda neste ano, também por meio de tarifas”. Ele comenta que o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, vem tentando convencer os bancos a driblar esses pagamentos em 2 a 5 anos. Outro empréstimo de R$ 3,15 bilhões é negociado com banqueiros para que as distribuidoras paguem os gastos, segundo dados do BC. Ou seja, os empréstimos acabaram de certa forma pesando neste aumento da energia em 2015.

Segundo Nogueira, o bolso do consumidor será impactado também pelos repasses do custo de operações de FINANCIAMENTO da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE). “O CDE é uma conta que foi criada para desenvolver pesquisas e novos projetos no setor energético do país. O problema é que seu uso foi corrompido pelo governo para bancar o DESCONTO na conta de luz prometido em 2012, e que teve de ser completamente revertido no ano seguinte. Assim, como a conta era financiada pelo Tesouro, com as medidas de ajuste fiscal, grande parte de seu peso vai cair sobre os consumidores, infelizmente”, explica.

Consumidores não concordam

Para a administradora de empresas, Rosane Lima, o aumento anunciado pelo BC não foi justo, já que o governo federal já instituiu o aumento de impostos em diversos serviços. “Para mim é mais um aumento ilegal e imoral, já que pagamos diversos impostos a mais este ano. Para mim que sou microempresária e também dona de casa, o reajuste pesará muito. É um absurdo termos que pagar pelos erros do governo. Não é justo, já que o salário não acompanha a economia”, dispara.

O comerciante Paulo Roberto, lembra que além da alta na energia elétrica, eles ainda são obrigados a aguentar as quedas constantes de luz. “O governo atual aumenta os impostos, mas não se preocupa em verificar se o que eles oferecem é de qualidade. A nossa energia não é uma das melhores, até porque agora que estamos enfrentando os problemas de falta de chuva e uma seca intensa, muitos bairros acabam ficando sem energia. Não me sinto na obrigação de ter que regrar água, já que o erro foi da má gestão. Não acho justo pagarmos quase 40% de aumento na energia elétrica”, reclama.

Acima dos 40% >>

De acordo com o economista, outro ponto vai pesar no bolso do consumidor: a revisão tarifária feita pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). “Temos que somar o alto custo das térmicas e das parcelas de empréstimos. Em 2015, além do reajuste habitual, também poderá haver uma revisão tarifária extraordinária, aprovada pela Aneel para todas as distribuidoras do país. A alta deve chegar a 60% neste ano e deve levar a uma redução de demanda de 7% a 10% por unidade consumidora. A cada 1% de alta da conta de luz, o consumo cai entre 0,15% e 0,20%”, esclarece

O diretor geral da Comercializadora de Energia (CMU) concorda que o aumento pode chegar a 60% e que será um ano mais difícil para o setor. “Entraremos no período úmido em abril, com o nível dos reservatórios abaixo de 2014 possivelmente. No ano passado entramos em 38%, mas agora estamos com 25% e dificilmente chegaremos à meta de 33%. Estimo um reajuste bem diferente nas tarifas em pelo menos 60%”, diz.

Para ele, a situação só não está pior porque a economia do Brasil não está desenvolvendo em 2015, já que o crescimento, de certa forma, faz a inadimplência crescer no país. “Não tem como deixar de citar a inflação que deve ficar entre 7,5% e 8% neste ano. Ou seja, a situação será alarmante para os consumidores brasileiros nesse ano”, conclui.