[huge_it_slider id="4"]

A lingerie como peça principal, com traços marcantes da moda, mas sem perder o conforto. Essa é a proposta da Picê Ateliê que está sendo relançada pela estilista mineira Ana Elisa Santana e três outros sócios que compõem uma equipe bem estruturada, com Renata Mourão (comercial), Rafael Sales (financeiro) e Alexandra Sales (administrativo).

Picê é a Deusa Indígena da Poesia e é inspiração para uma marca que tem como pilares o consumo consciente e a sustentabilidade. “Utilizamos sobras de matéria prima, produtos naturais de algodão orgânico, produtos biodegradáveis, tecidos pet, dentre outros. Sempre trabalhei com sobra de matéria prima, mas também sempre acreditei que a sustentabilidade vai muito além disso”, afirma Ana. “Temos uma linha com tecido da Santaconstancia que, em contato com aterro sanitário, leva apenas três anos para se decompor ao contrário de um tecido tradicional que levaria 50 anos”, acrescenta.

A sustentabilidade não é um tema novo, mas os desafios ainda são grandes. “Ainda enfrentamos muitos obstáculos para sermos sustentáveis do início ao fim da cadeia produtiva, da escolha da matéria prima, à produção justa até o consumo consciente. Grandes marcas buscam uma produção sustentável, conseguem ter linhas sustentáveis dentro da coleção, mas ainda há dificuldade de utilizar esses valores em todos os processos. De outro lado, pequenas marcas têm dificuldade de trabalhar em escala industrial.

Dessa forma, a Picê está nascendo no meio dessa situação, mostrando que uma marca nova pode ser completamente sustentável, sendo profissional e com grande projeção”, diz a estilista. “Nosso objetivo é incentivar o consumo consciente e justo, a indústria brasileira (#feitonobrasil) e a produção em maior escala e de forma mais acessível de tecidos como o algodão orgânico, tecidos tecnológicos sustentáveis dentre outros materiais que diminuam o impacto ambiental. Nos sentimos parte e sabemos que podemos fazer muito para mudar a cultura do fast fashion, trazendo nossas raízes e cuidando das nossas pessoas”, conclui.

Com fornecedores de Nova Friburgo, Belo Horizonte, São João de Napomuceno (MG), a Picê pretende abrir esse leque estendendo para o Brasil inteiro e, contribuindo assim, para gerar emprego para brasileiros, com mão de obra local.
Os produtos da Picê são vendidos no site da marca, na Dafiti (apenas algumas coleções) e através de revendedoras credenciadas, o que contribui para aumentar a geração de empregos. Por enquanto, apenas Rio de Janeiro, São Paulo, Florianópolis e Belo Horizonte têm revendedoras Picê, mas a intenção é expandir esta rede.

Criação

Ana Elisa é a responsável pelo desenvolvimento criativo das coleções da Picê, mas não abre mão de ouvir a opinião de seus consumidores e do público em geral. “Assim eu consigo entender melhor como ter uma peça confortável e bonita, que não seja apenas coadjuvante. Tudo isso com preço competitivo, que é importante”, afirma Ana Elisa.

Como referência, a estilista aposta em pesquisas em sites, blogs, livros de arte, materiais de brechó e muito bate-papo. “Tiro inspiração de tudo. De pessoas na rua, de museu, de quadro, de livro, site, tudo. Uma ideia vem de qualquer coisa”, diz a estilista. “O segredo do sucesso criativo é o empenho”, completa.
A estilista começou a carreira como Assistente de Estilo na Farm até assumir a criação da linha lingerie da grife. “Eu desenvolvia peças com informações de moda dentro de uma grande empresa que não era específica de lingerie. Era desafiador e despertou em mim o interesse por este segmento”, lembra a estilista.  “Já nesse momento eu comecei a trabalhar com sobras de matéria prima da minha e de outras linhas da Farm, percebi que além de criação, eu era muito próxima dos fornecedores e dos colegas que trabalhavam no estoque de matéria prima (tecido e aviamento) da empresa. Aprendi muito nessa época, principalmente sobre o reaproveitamento”, completa a estilista. O sucesso foi tão grande que veio a ideia de ter uma marca própria de lingerie voltada para moda. Nasceu, assim, a Picê Ateliê, no Polo Industrial de Nova Friburgo.

Ana Elisa cursou a faculdade de moda na Estácio de Sá, no Rio de Janeiro. Também advogada, a mineira mudou-se para o Rio de Janeiro em 2010. A paixão pela moda tem grande influência da mãe que é artesã, restauradora e costureira. Na nova cidade, Ana decidiu investir numa nova profissão e lembra. “Nessa época não tive o apoio da minha família, muito tradicional de Minas, eles queriam que eu seguisse a carreira jurídica, tive que esconder por algum tempo que fiz a faculdade, até o momento em que passei em um concurso e tive que conversar com eles sobre o porque de não assumir o cargo. Depois a família entendeu e me apoiou. Apesar de gostar de moda, nunca achei que fosse seguir por este caminho. Queria algo que aliasse a criatividade, desenho, pesquisa, história e que me completasse. A Picê é o ápice deste sonho”, conclui a estilista.

Picê Ateliê
Vendas online
www.piceatelie.com.br
Facebook: Picê
Instagram: @piceatelie