Felipe José de Jesus

Nem a realização da Copa do Mundo no Brasil e nem os gastos dos estrangeiros poderão alavancar o Produto Interno Bruto (PIB) em 2014. É o que mostra o Boletim Focus, divulgado no dia 23 de junho pelo Banco Central (BC). De acordo com o relatório, a previsão dos economistas para o crescimento da capitalização caiu pela 4ª vez seguida. A expectativa de aumento apontada pelo BC será de 1,16%, já na pesquisa anterior, os economistas esperavam alta de 1,24% no PIB deste ano. A expectativa de avanço do PIB calculada pelo BC caiu praticamente pela metade, que seria uma alta de 2,5%. Em 2015, o cenário também é preocupante, já que a previsão de desenvolvimento do PIB poderá sair de 1,7% para 1,6%.
Em entrevista ao jornal Edição do Brasil, o economista, professor de MBA na faculdade BI International e líder da área de Corporate Finance da Transactions & Managemente da PKFNK, Nilton Belz, explica que a queda no PIB para 2014 é o resultado de uma piora na conjuntura econômica interna e externa e na falta de controle da inflação.
“Tivemos uma economia crescente com a gestão do Lula, já no governo da Dilma, a conjuntura externa não ajudou o Brasil. Temos a China crescendo menos e a Argentina também, e os preços das commodities estão menores. Fora isso, temos a inflação que está no teto e o BC acabou adotando o aumento da taxa Selic para segurá-la, no entanto, o consumo das famílias está caindo cada vez mais. Além dos empresários já não estarem sentindo firmeza no mercado brasileiro, o que faz com que o cenário se torne cada vez mais duvidoso. O PIB em 2010 cresceu mais de 10%, por isso, agora fica uma percepção de que o Brasil não fez o dever de casa nos últimos anos”, comenta.

Perigo em 2015
Para o ano que vem, o economista lembra que o Brasil terá dificuldades de desenvolvimento do PIB também. “Segundo o BC, a expectativa de crescimento era de 1,7%, só que agora será de 1,6%. Na verdade, o que era para ter sido feito não foi realizado. Esta previsão de 2015 já foi percebida por causa dos efeitos dos juros que vão gerar resultados ruins até o ano que vem. A verdade é que com 2 anos de renda per capita reduzida será difícil crescer aos patamares de 5 anos atrás. O problema está na conjuntura externa e interna como já dito. A China e a Europa podem ter uma queda, mas mesmo sendo conjunturas diferentes, elas afetam diretamente o Brasil. Estamos vivendo uma estagnação da economia e o que transparece é que o governo não esta achando o caminho para resolver os problemas”, analisa.
Questionado sobre a pesquisa recente divulgada pelo Ministério do Turismo (Mtur), em relação à possibilidade de incremento no PIB de R$ 30 bilhões com os gastos dos turistas no Brasil, Belz lembra que o turismo não mudará este cenário. “Esse setor não vai mudar o resultado que temos agora de crescimento. Diga-se de passagem, que o Brasil tem uma péssima posição no turismo mundial e pelo potencial que temos aqui, se oferece muito pouco. Este é um setor que tinha que ter sido trabalhado mais, só que não podemos depender só da Copa do Mundo para elevarmos nossa produção e melhorarmos nossos índices”, ressalta.

Investimentos em queda
O índice de confiança empresarial calculado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) caiu 4,9% no mês passado, por este motivo, Belz explica que em 2015 os investimentos serão menores. “Para este ano a projeção de entrada de gastos estrangeiros diretos no Brasil permanecerá em US$ 60 bilhões, enquanto que em 2015, a estimativa para a entrada de investimentos será de US$ 55 bilhões. Investimento é um fator crucial, só que se a economia brasileira não melhorar, os investidores vão deixar de olhar para o Brasil”.
Para o economista, o governo precisa fazer um plano de ações para o país crescer. “É preciso controlar a inflação sem considerar a taxa de juros e a atividade econômica. Não adianta diminuir o Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI) de automóveis e outras taxas, pois isso faz a economia crescer a pouco prazo e não em longo. O que acontece é que na década de 2000 até 2010 tivemos um PIB per capita de 2%, já na década de 1990, cerca de 1%. Parece que o Brasil está caminhando para trás e ele ficou muito dependente da rota estrangeira. Não adianta trabalhar com o foco na política monetária, está na hora do Brasil ter mais criatividade e competência para achar resultados, já que perdeu há muitos anos a chance de criar pilares de sustentação”, conclui.