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Erika Cristina Amaral, “A situaçãoeconômica atual
desfavorável e as eleições em outubro ajudaram
para esse péssimo resultado” (Ass/Fiemg)

*Jornalista

Felipe José de Jesus

Nem mesmo o otimismo dos empresários pôde conter a forte queda na produção industrial deste ano. É o que confirma a Sondagem Industrial, divulgada pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), no final de julho. De acordo com pesquisa, a produção recuou de 47,9 pontos em maio, para 38,3 em junho, o menor índice desde dezembro de 2012. Já o indicador de emprego apresentou recuo pelo 14º mês consecutivo e em junho ficou em 44,6, ante 46,6 pontos em maio. Para especialistas financeiros, as quedas estão atreladas também a realização da Copa do Mundo nos meses de junho e julho de 2014.

A economista e assessora econômica do gabinete da presidência da Fiemg, Érika Cristina Amaral, fala sobre o impacto das eleições e confirma que a confiança dos empresários caiu categoricamente. “O Índice de Confiança” encontra-se abaixo dos 50 pontos pelo quarto mês consecutivo, atingindo 42,8. Ele é avaliado com relação às condições atuais de negócio (34,9 pontos), que se abre nas condições atuais da economia brasileira (28,4 pontos), da economia do estado (31,6 pontos) e da própria empresa (37,3 pontos). A situação econômica atual desfavorável e as eleições que ocorrerão em outubro corroboram para esse péssimo resultado”, afirma.

Questionada se a Copa do Mundo ajudou para o incremento deste cenário negativo, Érika diz que a produção industrial perdeu todo o seu dinamismo e que os estoques aumentaram. “Observamos que o nível de atividade da indústria de Minas Gerais teve perda de força em junho. O índice de produção atingiu em junho 38,3 pontos, sendo este o menor valor atingido em 2014, enquanto que o estoque de produtos finais cresceu com 51 pontos. A utilização da capacidade instalada efetiva ficou abaixo do usual para os meses de junho, aferindo 35,7 pontos. A queda na produção da indústria no mês de junho foi influenciada pelo período do Mundial, devido à redução no número de dias trabalhados com a concessão de feriados em dias de jogos”, relembra.

O economista-chefe da Fiemg, Guilherme Veloso Leão, acrescenta que a Copa foi definitivamente um problema. “Nós já esperávamos esse comportamento em junho. A relação é direta com Mundial, que gerou mais feriados no mês. Muitas indústrias paralisaram as atividades em dias de jogos do Brasil e algumas chegaram a conceder férias coletivas durante todo o evento, o que indica menos produtividade da indústria”.

Ele destaca que uma das maiores dificuldades enfrentadas pela indústria está na alta carga tributária que continua sendo a recordista dos itens citados entre os empresários. “No segundo trimestre, esse item recebeu 62,2% dos votos dos entrevistados, ante 65,1% do levantamento do primeiro. O que chamou a atenção nesse trimestre foi à falta de demanda, que passou do terceiro para o segundo lugar da lista, com 53,4% ante 35,7%”, pontua.

Saídas e expectativas

Para evitar mais problemas, a economista lembra que as indústrias estão evitando o corte de pessoal, mas aplicando a redução dos turnos como medida. “De um modo geral, as indústrias não tendem a reduzir o número de funcionários, pois a falta de trabalhador especializado no mercado faz com que os empresários os retenham treinados e atuantes. As empresas evitam reduzir o número de empregados, mas diminuem os turnos de produção como saída. Algumas deixam de produzir nos finais de semana ou em períodos noturnos”, revela.

Mesmo com as medidas, ela afirma que as expectativas ainda são preocupantes. “O Índice de Confiança do Empresário Industrial de Minas Gerais (Icei/MG), mostra perspectivas negativas dos empresários para os próximos 6 meses, com 46,9 pontos. Elas estão abaixo dos 50 pontos, tanto para a situação da economia brasileira (39,2 pontos) quanto para a economia do estado (40,6 pontos), e em relação à própria empresa (50,4 pontos) os empresários mostram cautela”.

Otimismo x queda

A economista afirma ainda que os empresários mineiros esperam um aumento da demanda para o próximo semestre (51,3pontos), mas infelizmente, redução na quantidade exportada (44,5 pontos), na compra de matéria-prima (48,6 pontos) e no emprego (45,8 pontos). “Sendo assim, as expectativas para os próximos 6 meses estão pessimistas. Apesar dos empresários esperarem acréscimo, a perspectiva é de queda nas exportações, no emprego e na compra de  matéria-prima”.