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Retirada de R$ 9,4 bilhões no setor de educação e
obrigatoriedade do Enem vão atrapalhar alunos

FIES (1)

O candidato precisa alcançar no mínimo 450
pontos para tentar o benefício
(Foto: Arquivo Pessoal)

 

*Felipe José de Jesus (JCE)
Matéria publicada também em JEB

 

O sonho de conquistar uma vaga em uma universidade com o apoio do Fundo de Investimento Estudantil (Fies) pode ficar mais concorrido para os alunos daqui para frente. Isso porque com as medidas de corte de R$ 69 bilhões anunciadas pelo governo federal em diversas pastas e a retirada de R$ 9,4 bilhões na educação, provavelmente, 1 milhão de alunos terão dificuldades de ingressar no ensino superior a partir do segundo semestre. É o que foi confirmado pelo MEC, que reduziu a verba para novos contratos do Fies em R$ 2,5 bilhões e, agora, para conseguir o recurso, o candidato tem a obrigatoriedade fazer o Exame do Ensino Médio (Enem) e alcançar no mínimo 450 pontos na prova.

Em entrevista, o especialista em educação e professor da USP, André Camilo, diz que a retirada do recurso mostra uma fragilidade do governo, já que no ano passado foram destinados R$ 5 bilhões. “Em 2014, o programa destinou o dobro do que foi anunciado para este ano. Com o corte tivemos uma redução de 50% da verba. Claro que isso tem feito com que milhões de estudantes se desesperem, até porque muitos já no início do ano não puderam se inscrever por problemas de abuso nas mensalidades e no site. O governo não vai investir muito no Fies em 2016, pois falta verba. O aumento no valor de Enem para R$ 63 e a obrigatoriedade dele pode ser uma forma de tampar a falta de recurso do programa. Mesmo assim, a situação só deve ser normalizar em 2017”, revela.

Camilo conta ainda que, no período entre 2010 e 2014, existiam mais de 1,9 milhões de contratos do Fies estabelecidos com grupos privados e cerca de R$ 30 bilhões utilizados no programa. “Todo esse valor foi transferido para os tubarões do ensino, como Kroton-Anhanguera, Ser Educacional e Estácio, alçando o Brasil à categoria de ‘campeão de empresas do ensino’. Além disso, o Fies teve suas regras alteradas no início deste ano, exigindo nota mínima de 450 pontos no Enem para dificultar a vida do aluno. Ou seja, a educação que era a âncora do PT foi uma das primeiras atingidas”.

Futuro

A candidata Ana Paula Dias, 26, que pretende tentar Fies para o curso de Biomédica, diz que as mudanças complicaram ainda mais a aquisição de uma bolsa. “Não tenho tanto tempo para estuda porque trabalho no comércio de segunda a sábado. E, claro, não tenho condições de pagar uma mensalidade de R$1, 400. Os meus pais irão me ajudar com pelo menos R$ 800 se eu não me sair bem no exame. Infelizmente, a obrigatoriedade do Enem, só atrapalhou”, reclama.

Adriana Lima, 21, que fará o Enem declara não estar preocupada com o exame. “O Fies é uma ancora para nós que não temos como conseguir uma bolsa de 100%. A pontuação do Enem que subiu para 450 praticamente obriga o aluno a se matar de estudar. Mesmo saindo bem no exame, e acredito que estou bem preparada, tenho medo de não conseguir o Fies. Alguns amigos meus mandaram os contratos para os bancos e até hoje eles não foram devolvidos. E os que tiveram retorno ainda não conseguiram a bolsa. A impressão é de que estão travando o contrato do aluno”, informa.

Pátria educadora?

Para Camilo, os cortes na educação pública e as novas regras são um ataque ao futuro de milhares de jovens. “Na chamada ‘pátria educadora’ da presidente Dilma, o corte de verbas tem acumulado dívidas e tirado dos estudantes a permanência estudantil (bolsas, moradia, etc) para, supostamente, economizar em cima das costas do povo. Há pouco mais de 7 meses eles afirmavam com todas as letras que seriam um governo que manteria os direitos, impediriam qualquer retrocesso e, no início de seu mandato vitorioso, que priorizaria como a ‘causa das causas’ a educação. Nada foi mantido e ela foi uma das primeiras a ser prejudicada”, dispara.