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Heráclio Camargo 1Heráclio Camargo: “Este número é fruto de alguns fatores
específicos como o crescimento econômico e a inflação” (Foto: Sinprofaz)

*Felipe José de Jesus

Uma festa que paralisou os quatro cantos do mundo, mas que infelizmente não trouxe bons resultados para os donos da casa: o Brasil. Como se não bastasse a perda vergonhosa para a Alemanha, o país comprovadamente ainda não conseguiu colocar a economia nos trilhos. E para piorar a situação, uma pesquisa realizada pelo Sonegômetro mostrou que o volume de tributos ocultados em 2014 (de janeiro a agosto) alcançou o valor de R$ 317 bilhões. No entanto, a entidade afirma que até o fim do ano, cerca de R$ 500 bilhões serão sonegados. Essa quantia equivalente a 16 Copas no Brasil.

Para o presidente do Sindicato Nacional dos Procuradores da Fazenda Nacional (Sinprofaz), empresa responsável pelo Sonegômetro, Heráclio Camargo, as pessoas deveriam consultar este medidor pelo menos uma vez na semana. Isso porque os efeitos corrosivos da sonegação caem sobre os brasileiros. “Se discutiu muito por meio da imprensa sobre os R$ 25 bilhões que foram gastos com a Copa do Mundo, mas agora ninguém discute essa goleada, pois o Brasil vem perdendo e não é de hoje por 12 x 1 para a sonegação”, afirma.

Ele explica que os trabalhadores que pagam impostos altos precisam entender que a ocultação afeta diretamente a população de baixa renda, porque não há como escapar da tributação indireta, que está embutida nos produtos e serviços.

Camargos diz ainda que apenas o valor arrecadado até agosto deste ano representa quase 10% do Produto Interno Bruto (PIB) no país. “Atingimos os R$ 317 bilhões antes da data prevista, que tem como referência o período ano passado, uma vergonha. Agora, vamos imaginar se conseguíssemos arrecadar o valor da sonegação, isso representaria quase 10% de nosso PIB. É um alarde pensarmos nisso, mas é verdade”, ressalta.

 

Tributos menores

Para ele, com esse mesmo valor arrecadado até agosto seria possível diminuir os tributos, principalmente sobre o consumo de produtos e serviços das classes mais baixas. “O principal motivo do volume de impostos afetarem mais a classe média são às práticas realizadas por parte da população de alta renda para escapar da prestação de contas com o governo e, assim, obter vantagem nos preços”.

O presidente do Sinprofaz conta que as empresas que agem de maneira correta e cumprem com seus tributos é um bom exemplo, apesar de que elas acabam tendo que repassar o valor dos impostos no preço dos produtos e infelizmente quem paga é o consumidor final.

 

Susto Brasil e empresários

Questionado sobre os R$ 500 bilhões que poderão ser encobertos até o fim de 2014, o especialista reconhece que a cifra é realmente assustadora e que boa parte é gerada por micro e grandes empresas. “A projeção é essa mesmo. Esse número será provavelmente 20% maior do que os R$ 415 bilhões registrados no ano passado. O valor acima é fruto de alguns fatores específicos como o crescimento econômico e a inflação. Pagaríamos com esse montante praticamente 16 Copas no Brasil, e olha que o valor gasto com apenas um Mundial foi expressamente preocupante”, enfatiza.

Sobre os efeitos da não sonegação no país, Camargos assegura que o peso da carga tributária poderia ser diminuído. “Os resultados indicaram que, mantendo todos os demais parâmetros constantes, a arrecadação tributária brasileira poderia se expandir em 22,9% caso fosse possível eliminar a evasão tributária, cujo indicador médio para todos os tributos apontados neste trabalho foi da ordem de 8,44% do PIB. Com isso, teríamos outra realidade econômica no país”, conclui.

Os valores da sonegação no Brasil podem ser conferidos pelo: www.quantocustaobrasil.com.br.

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