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Chile e Argentina são isentos na exportação da bebida
Darci-Dani-i-1024x770O diretor executivo da Agavi, Darci Dani: “Dominamos 80% do mercado
mundial quando o assunto são os vinhos mais baratos” (Foto: Assessoria / Agavi)
*Felipe José de Jesus (JCE)

 

Ele ainda não pode ser considerado uma paixão nacional, mas o vinho vem sendo admirado e consumido cada vez mais pelos brasileiros. Porém, a bebida que tem ganhado adeptos e se tornando famosa pelos benefícios que traz para a saúde, enfrenta o problema da tributação. No Brasil, enquanto o Imposto Sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços (ICMS) da cerveja é 18%, o do vinho chega a 25%, índice avaliado como alto, de acordo com a Associação Gaúcha de Vinicultores (Agavi).

Segundo dados da entidade, a bebida produzida no país perde por dois motivos: o preço final da garrafa e a carga tributária. Claro que isso se comparado ao Chile, Argentina e Europa que são os grandes exportadores. O Brasil paga 54%, enquanto que a Europa 27%, já o Chile, Argentina e outros países do Mercado Comum do Sul (Mercosul) tem alíquota zero, pois eles tem vantagens comerciais que as isentam.

O diretor executivo da Agav   i, Darci Dani, explica que a desgravação tarifária para esses países faz com a competitividade com o Brasil seja desleal. “A primeira grande diferença é que Argentina e o Chile fizeram um acordo, criado pelo Mercosul, no qual  eles se isentam do imposto de exportação e até hoje é assim. Esses países pagavam antigamente 27%, passaram a desembolsar 5% em 2011 e hoje não pagam nada. Fora isso, temos o problema do imposto em cascata, que é algo que não se pode recuperar. Todo o tributo que o produtor nacional tem com a uva fica na própria fruta. Já quando ele vai elaborar o vinho é preciso pagar outro tributo, que é o imposto embutido na produção. Ou seja, é imposto sobre imposto, por isso na exportação pagamos quase 60%”, comenta.

Segundo Dani, a maioria dos vinhos que estão chegando do exterior vem por um preço irrisório. Fora isso, ele revela que o Brasil está virando um depósito de vinhos estrangeiros. “O preço do vinho é de US$ 1 e mesmo aplicando as taxas, ele não chega a US$ 2, ou seja, sai quase de graça”.

O diretor da Agavi relata que outro problema é fato do país não conseguir produzir a uva nas mesmas condições que os estrangeiros. “Eles têm história e tradição, algo que não temos. Como se não bastasse, quando os empresários do ramo estão com o estoque alto, eles barateiam o vinho para enviar para o Brasil. O engraçado é que na cidade natal eles vendem a bebida por um valor alto e assim fica difícil competir”.

 

Sem valor

Questionado sobre a preferência do brasileiro pelos vinhos estrangeiros, Dani lembra que poucas pessoas se interessam em conhecer a fundo a bebida produzida no país. “É uma questão de cultura. Diferente do exterior não temos 100 anos de produção em vinhos, e se falarmos de experiência profissional, não chegamos há 50 anos. Investimos nas mudas com certificação e isso nos proporcionou produzirmos uma uva com mais propriedade. O bom empresário vinicultor quer fazer a bebida com qualidade, por isso, ele coloca o preço às vezes maior do que o vinho do exterior. Dominamos 80% do mercado mundial quando o assunto são os vinhos mais baratos”, ressalta.

Para o amante de vinhos Rodrigo Lamas, a bebida brasileira ainda precisa de uma maturação para chegar ao patamar do estrangeiro. Para ele, não é uma questão de preço e nem vaidade. “O vinho brasileiro precisa de melhoria. Eu não tomo vinho a revelia, mas, sim, nos fins de semana ou em ocasiões especiais. Não troco o chileno Almaviva, ou um Montes Folly Syrah ou um Concha Y Toro Don Melchor, por um Dom Bosco, pois mesmo gostando dele, eu olho muito a suavidade, mesmo porque vinho é para se apreciar. O Brasil tem algumas marcas de vinhos fortes e boas como, por exemplo, o Domno do Brasil. Mas para o país despontar é necessário um apoio maior do governo em relação ao crescimento deste mercado”, sugere.

 

Governo pode ajudar

O diretor da Agavi revela que existe uma discrepância sobre os tributos de bebidas com álcool no Brasil. Ele lembra que a cachaça e a cerveja pagam bem menos ICMS. “Algo estranho, já que o vinho consumido moderadamente pode trazer diversos benefícios para a saúde”.

Para ele, o governo estadual pode fazer algo para melhorar a situação. “A saída seria criar um ICMS em três categorias: o baixo de 12%, o médio de 15% e o alto 27%. Já no caso do vinho, o governo ganharia mais se colocasse o ICMS em 18% (patamar médio), pois isso aumentaria a arrecadação. Não dá para continuarmos pagando 25% de imposto”, conclui.