O técnico Diego Aguirre deixou o comando do Atlético na tarde desta quinta-feira. A queda do treinador foi se consumando na pouca aceitação de aspectos do seu trabalho, como o rodízio de jogadores e as escolhas de substituições durante a partida, nas derrotas marcantes emmomentos decisivos e na impaciência da torcida.

A relação entre Aguirre e os alvinegros sempre foi atribulada. Em fevereiro, na partida contra o Independiente del Valle, pela Copa Libertadores, o uruguaio sentiu a fúria dos atleticanos. Grande parte dos presentes ao estádio deixou de lado o apoio ao Galo para criticar o treinador. Ele foi chamado de burro por ter sacado o meia Cazares para a entrada de Robinho, estreante da noite. Era o décimo jogo do uruguaio à frente do Atlético no ano e o começo da intolerância.

A pressão foi aumentando especialmente porque o desempenho do time deixava a desejar. Muitos não absorveram a ideia de rodízio do time, com a escalação de reservas no Campeonato Mineiro. A insatisfação chegou à diretoria. Após a derrota em casa para o Tricordiano (4 a 2), ameaçado de rebaixamento no Estadual, o presidente Daniel Nepomuceno reagiu. “O momento agora é de definição do time, está nas mãos do treinador. Não temos mais tempo para testes. A hora de ganhar chegou”, exigiu Nepomuceno, após reunião de cobrança no CT.

Depois disso, vieram boas e más atuações. Na semifinal do Estadual, mais um ato de reprovação da torcida. Os atleticanos mostraram descontentamento com a dificuldade diante da URT. A situação foi se agravando com a derrota na final do Campeoanto Mineiro para o América. O Galo não conseguiu vencer o Coelho nas duas partidas e viu o rival levantar o troféu. A eliminação para o São Paulo foi a gota d’água.

Na primeira partida no Morumbi, Aguirre foi contestado pelo corte de Cazares do banco na partida de ida das quartas de final. O equatoriano estava liberado, mas o uruguaio preferiu não contar com Cazares, ficando sem nenhum meia disponível para o jogo. Após a derrota por 1 a 0, Aguirre foi questionado, mas se recusou a esclarecer o motivo do corte, o que gerou muita especulação quanto ao comportamento do atleta. Coube ao presidente Nepomuceno dizer que a escolha foi puramente técnica.

A irritação da diretoria era evidente: “Não era o que a gente esperava, de jeito nenhum. O elenco que está não condiz com os resultados. Agora é pensar o que fazer no futuro. Vou para casa e isso a gente decide depois”, disse Nepomuceno.

Na entrevista coletiva de despedida, Aguirre disse que pediu demissão: “Estamos aqui para comunicar que tomei a decisão de deixar o clube. O principal objetivo esportivo era ganhar a Libertadores e não foi possível como vocês viram ontem”, disse.

O Atlético agora vai ao mercado em busca de um nome de peso para assumir a equipe. Marcelo Oliveira é o principal cotado. O ex-treinador do Cruzeiro ainda não acertou com nenhuma equipe desde a sua saída do Palmeiras, após a queda do Verdão ainda na primeira fase da Copa Libertadores.