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DE VOLTA ÀS ORIGENS

 

10° álbum do grupo se desprende dos rótulos e exigências de
gravadoras; Músicas lentas ficarão para o próximo disco

Metallica em sua atual formação
(Foto: Divulgação Metallica)

 

*Coluna
*Jornalista
*Felipe José de Jesus
*💿Avaliação do álbum: Cinco estrelas
*💿Avaliação máxima: Cinco estrelas

 

Quando escutamos algum disco mais antigo do Metallica, de preferência dos anos de 1980, sempre esperamos aquela faixa lenta com uma letra mais romântica. No entanto, Hardwired…To Self-Destruct (2016), 10° disco de estúdio do grupo quebra qualquer expectativa nesse sentido e das 12 faixas do disco, o que você mais escutará será o peso das guitarras de James Hetfield / Kirk Harmet e a bateria clássica de Lars Hulrich. Mesmo assim, o disco que veio em formato duplo (isso mesmo, duplo!) se reaproxima do som conhecido do Metallica nos álbuns Kill Em’ All (1983); Ride the Lightning (1984); Master Of Puppets (1986); And Justice For All (1988) e um pouco do Black Álbum (1991) todavia, sem os sons leves e solos de guitarra que tanto marcaram a carreira do grupo de heavy metal.

O álbum que foi lançado no fim de 2016, pela Universal Music e Blackened Records INC., mas massificado no Brasil praticamente em 2017, não foi muito comemorado pela crítica, mas foi ovacionado pelos seguidores que afirmam que esse é um dos melhores discos do grupo depois de Death Magnetic (2008) que trás as aclamadas canções The Day That Never Comes e The Unforgiven III. Hardwired (faixa título do novo disco) agrada pela bateria e pelo som pesado da guitarra como as músicas Here Comes Revenge; Halo On Fire; Dream No More e Manunkid que para mim são as melhores canções do disco por trazerem riffs mais puxados para o hard rock. Em minha opinião todas essas faixas podem figurar facilmente nas rádios de Rock e também Pop/Rock de Minas Gerais e do Brasil.

Já as canções Atlas, Rise!; Now That We’ Re Dead; Moth Into Flame; Am / Savage?; Muder One e Spit Out The Bone seguem uma batida bem parecida, como se estivéssemos escutando o disco Dookie (1994) do grupo Green Day, que segue uma mesma linha na guitarra e bateria. No entanto, essas músicas não são nada comerciais. Em relação aos vocais, James Hetfield não decepciona jamais e isso talvez seja uma das melhores virtudes do Metallica. Tanto nos discos de estúdio quanto nos shows, o grupo te faz voltar no passado e nesse sentido, o novo CD traz uma certa familiaridade e tranquilidade para quem ainda está resistente e com receio de ouvir o disco.

Resultado da produção ))

Por ser um álbum duplo é estranho ver que ele têm apenas seis faixas em cada CD. Todavia, a justificativa pode ser vista no tamanho das músicas que chegam a quase sete minutos cada. No caso das músicas lentas que não existem nesse novo trabalho, fica claro que essas serão lançadas no próximo disco do grupo, ou em algum outro momento mais oportuno.

Em relação a capa e o design do álbum, a proposta apresentada pelo grupo remete de fato às origens, tanto pelas fotos internas do trabalho, letras das músicas, quanto pela “Logomarca Metallica”, conhecida pelos seguidores em quase todos os álbuns. Quanto a produção geral do novo trabalho, fica claro que o Metallica não se prendeu aos rótulos ou as questões de exigências de gravadoras. Como qualquer banda ou cantor (a) que depois de 30 anos de estrada já tomam suas próprias decisões, o Metallica gravou o disco seguindo seus conceitos e o resultado foi o ótimo Hardwired…To Self-Destruct (duplo).

Avaliação ))

Dou cinco estrelas (avaliação máxima) para o novo álbum porque com tanta preocupação das bandas em massificar qualquer trabalho pela internet (alguns mal produzidos, com parcerias musicais sem nexo e discos ao vivo / acústicos mal feitos por imposição de produtores), eles se mantiveram firmes em suas origens e fiéis ao heavy metal. Se você ainda não escutou o novo trabalho do grupo, escute, porque são 77 minutos bem gastos. Eu fiz questão de adquirir o álbum físico e não me arrependi, mesmo sentindo falta das belas canções lentas que somente o Metallica sabe fazer.

Se você quiser comprar o novo CD (assim como eu fiz), na Música Rara, uma das mais tradicionais lojas de discos (CD e Vinis) de Belo Horizonte, Hardwired…To Self-Destruct sai por R$40 (duplo). Existe uma edição tripla para colecionador, mas esse apenas por encomenda. E você, já escutou o novo disco do Metallica? Se ainda não, o álbum está disponível também nos canais digitais: Deezer / Spotify a etc. Vale a pena treinar pelo menos algumas músicas do novo disco caso você vá a algum show dos caras. Até a próxima coluna Crítica Musical.