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O Instituto de Criminalística da Polícia Civil concluiu e entregou o laudo que aponta as causas técnicas do desabamento da alça sul do viaduto Batalha dos Guararapes, na avenida Pedro I, no dia 3 de julho. Dentre outros itens, o documento mostra que erros de cálculos levaram à redução da quantidade de materiais utilizada na estrutura.
Outra falha revelada é referente ao tamanho dos blocos. Já a análise do terreno no entorno do pilar que cedeu não mostrou causalidade entre o solo e a queda da estrutura. Na tragédia, duas pessoas morreram.
O documento já está com o delegado Hugo e Silva, responsável pelo inquérito para apurar as circustâncias, causas e responsabilidades da queda. Conforme a assessoria da Polícia Civil, após analisar o laudo, o delegado irá avaliar se há necessidade de solicitar esclarecimentos ou informações técnicas complementares para prosseguir na investigação do caso. Depois, será realizada oitivas sobre os pontos falhos revelados pela perícia.
Atualmente, o delegado ainda aguarda a resposta da Justiça, sobre o pedido de prazo maior para conclusção das investigações.
Falhas
Perícia feita pela construtora Cowan, responsável pela construção, apontou falhas de concepção do projeto executivo feito pela Consol, o que provocou a queda do ramo sul do viaduto. A construtora Cowan informou que um erro de planejamento do projeto executivo, que apontava a quantidade de aço que deveria sustentar o pilar do viaduto, foi a principal causa do desabamento. O bloco teria sido erguido com um décimo do aço necessário
Já a Consol garantiu que o projeto original para a construção do viaduto não foi executado. De acordo com a empresa, foram feitas mais de 40 aberturas (janelas) na laje superior da estrutura, sendo que algumas com dimensões superiores a 2 metros de largura. A Consol alegou que o projeto previa apenas duas aberturas com dimensões de 0,60 x 0,60 metros na laje inferior. A consultora disse que o sistema de protensão (técnica que objetiva aumentar a resistência das estruturas) utilizado não foi o indicado no projeto e reforçou que a protensão não poderia ser executada com essas mais de 40 janelas abertas.
Implosão
Na terça-feira (2), a Justiça mineira autorizou a implosão da alça norte do viaduto. No entanto, a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) terá que cumprir algumas condicionantes. Caso contrário, o trabalho será suspenso. A princípio, a implosão está marcada para acontecer no próximo dia 14. Contudo, conforme a Coordenadoria Municipal de Defesa Civil (Comdec), a data pode ser remarcada para o dia 21 caso seja necessário.
A implosão ficará sob a responsabilidade da empresa carioca Fábio Bruno Construções, contratada pela Cowan, e está marcada ocorrer às 9 horas. Uma série de medidas de segurança serão adotadas para evitar acidentes. Dados coletados in loco, como peso da estrutura, tamanho das vigas e até mesmo uma análise do solo foram lançadas em um software que já fez a simulação da implosão, contou Fábio Bruno Pinto, sócio da empresa. Ele diz que serão feitos furos nos três pilares que sustentam o viaduto e, nos buracos, serão colocados 125 quilos de explosivos.
“Três segundos é o tempo da implosão. Faremos uma espécie de vala nas duas extremidades do elevado para minimizar o impacto do tremor”. Além disso, telas metálicas e uma manta geotextil serão colocados em volta dos pilares para evitar o lançamento de fragmentos.
Em um raio de 15 metros, será sentido um abalo de 17 milímetros/segundo, um impacto pequeno, segundo o especialista. Caso aconteça algum acidente, a empresa conta com um seguro que arcará com qualquer despesa. A retirada dos escombros, que também está sob a responsabilidade da Cowan, será feita entre os dias 14 e 21. A previsão da Prefeitura é que, após essa data, o trânsito na via volte a ser liberado.