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Pedro Ferreira
pferreira@hojeemdia.com.br

Minas está em quarto lugar em número de políticos eleitos e nomeados vinculados a crimes econômicos, como corrupção, caixa dois e peculato. O levantamento é da AML Consulting, empresa líder nacional no mercado de soluções e serviços de prevenção à lavagem de dinheiro. O estudo também rastreou o envolvimento de executivos de empresas públicas e autarquias da União.

São 718 mineiros envolvidos nos últimos oito anos em crimes econômicos, o equivalente a 5,6% do total. Minas fica atrás apenas de São Paulo (9,7%), Distrito Federal (6,9%) e Bahia (5,9%).

A AML usou mais de 20 mil fontes de informações monitoradas por robôs de captura, que foram analisadas manualmente por especialistas.

A plataforma Risk Money consolidou 714 mil perfis de pessoas físicas e jurídicas no país associadas a crimes financeiros ou infrações penais que antecedem a lavagem de dinheiro.

Desse total, 281 mil (39%) são políticos ou pessoas ligadas a eles, ocupantes de funções públicas relevantes, como diretores e presidentes de autarquias, e reitores de universidades federais. Desses envolvidos, 29 mil estão ligados a crimes econômicos, como corrupção e peculato (10,3%).

Ainda de acordo com a AML, de 916 pessoas com cargos envolvidas no escândalo de corrupção da “Lava Jato”, 522 (57%) são políticos eleitos diretamente pelo povo, como é o caso do senador mineiro e presidente licenciado do PSDB, Aécio Neves.

“Identificamos mais de 11 mil pessoas físicas e jurídicas que têm ligação com a maior operação que está acontecendo em nosso país, o que mostra que esses crimes ocorrem devido também à contribuição e participação significativa do setor privado”, disse o sócio-fundador da AML Consulting, Alexandre Botelho.

Segundo ele, o cargo de deputado federal é o que tem mais envolvidos com os crimes vinculados à “Lava Jato”, seguido de senador e prefeito.

De um total de 12.608 cargos ocupados por políticos eleitos pelo povo, 9.897 estão envolvidos com crimes econômicos (78,5%), segundo a pesquisa.

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E de 11.171 prefeitos e vice-prefeitos eleitos no ano passado, 1.833 têm seus nomes relacionados em crimes de diferentes naturezas (16,5%), sendo 99 em corrupção (5%).

Ainda segundo o levantamento, do total de 57.949 vereadores, 2.110 são ligados a crimes diversos (3,6%) e pelo menos 163 a corrupção (7,7).

“Trata-se de um ambiente pautado por interesses individuais, com decisores de leis trabalhando em causa própria e gerando um cenário de instabilidade jurídica e econômica de forte impacto no mercado”, completa Botelho.

Para Gil Castelo Branco, secretário-geral da Associação Contas Abertas, ONG que busca estimular a participação da sociedade no debate sobre as contas públicas, o principal antídoto contra a corrupção é a transparência. “Nada como a luz para afastar os vampiros”, disse.

 

“Creio que desse mar de lama irá emergir um Brasil melhor. O legado positivo é uma sociedade mais atenta e participativa”

Gil Castelo Branco
Secretário-geral da Associação Contas Abertas