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*Danilo Emerich – Hoje em Dia

Quinhentos e oitenta e sete ônibus deixaram de convergir para o Centro de Belo Horizonte com a implementação do Move. Esse foi um dos ganhos com o sistema, implantado a partir de março e principal aposta da prefeitura para solucionar o problema da mobilidade urbana. Além de viagens até 50% mais rápidas para passageiros, motoristas também ganharam fluidez no trânsito.

No entanto, o alívio tem data de validade. A BHTrans reconhece que o Move foi projetado para atender a demanda até 2020. Especialistas alertam que a saturação acontecerá antes disso.

Até a implantação do Move, havia 880 ônibus circulando, por dia, nos corredores das avenidas Antônio Carlos/Pedro I, Cristiano Machado e Vilarinho, que ligam bairros das regiões Norte, Venda Nova e Pampulha ao Centro.

Na primeira fase do sistema, concluída no último sábado, o número de coletivos convencionais caiu para 293, sendo 92 na Antônio Carlos, 135 na Cristiano Machado e 66 na Vilarinho. Agora, a maior parte dos passageiros segue dos bairros até estações de integração e, depois, é levada ao Centro em ônibus articulados, em pistas exclusivas.

Retirada de 587 ônibus abre espaço nas ruas

A retirada dos ônibus abriu espaço para os demais veículos. Segundo o taxista Célio Fonseca, de 55 anos, a melhoria é sentida em trechos da área central e das avenidas Antônio Carlos e Cristiano Machado. “Muitas linhas iam até a Praça Sete (Centro) e, agora, só vão até as avenidas Santos Dumont e Paraná”, disse.

Esse alívio tende a ser breve. Do ponto de vista dos passageiros, explica o especialista em trânsito e transporte da Fumec, Márcio Aguiar, o Move já apresenta superlotação em horários de pico. Para os motoristas, o problema é o inchaço contínuo da frota, de 5% ao ano, o que deve voltar a congestionar essas vias em breve – até 2020, a projeção é que o número de veículos passe dos atuais 1,6 milhão para 2,1 milhões.

“A tendência é piorar. É igual tratar apenas a doença e não a causa. Volta tudo. O Move é um planejamento curativo”, afirma Aguiar.

ALTERNATIVAS

A BHTrans conta com ampliação do metrô para evitar um colapso na mobilidade. O município aguarda a entrega, por parte do governo federal, de dez novos trens para a Linha 1. A cidade ainda tem a esperança de que outros dois ramais, um subterrâneo até a Savassi e outro até o Barreiro, saiam do papel.

Apesar de o Move ser a aposta atual para o transporte, medidas secundárias são exploradas no intuito de incentivar o motorista a deixar o carro em casa. Entre elas, está a ampliação da rede de ciclovias, a expansão das áreas de estacionamento rotativo (desestimulando o uso do automóvel) e a implemen-tação de pistas exclusivas para os ônibus.

‘Em 2018, já teremos problemas’, prevê especialista em transporte

Especialistas reconhecem as melhorias para o trânsito e para os passageiros depois da implantação do Move. Porém, criticam a brevidade dos benefícios e a falta de planejamento a longo prazo para a mobilidade urbana.

Para o professor do Departamento de Engenharia do Trânsito e Transporte da UFMG, Ronaldo Guimarães Gouvêa, os ganhos em conforto e com a redução no tempo de viagem são indiscutíveis. No entanto, afirma ele, o Move é limitado por não ser de grande capacidade, como o metrô. “Ainda temos linhas trafegando nas vias adjacentes. Não é possível transferir toda a demanda para o BRT. É um sistema interessante, mas não deveria ser o principal meio de transporte público de uma cidade do porte de Belo Horizonte”.

Gouvêa critica ainda a falta de integração tarifária e física com o Move Metropolitano. “Com o valor investido no sistema, seria melhor viabilizar o terminal Barreiro do metrô”, completa.

CONFLITO

Já o especialista em trânsito e transporte da Fumec, Márcio Aguiar, afirma que o Move vai bem nos corredores exclusivos, mas o ponto fraco é quando acessa as pistas mistas, principalmente na região central. “Perde-se tempo, pois há conflitos com os veículos leves, aumentando o atraso e a superlotações. Quando se trabalha com um sistema de transporte público, o planejamento não deve ser para tão pouco tempo. Em 2018, já teremos problemas”, prevê.

Para os engenheiros, a frota do Move deve ser reforçada em horários de pico. A instalação de radares de invasão de faixa exclusiva também é considerada fundamental. Além disso, eles defendem investimentos no metrô.