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Nos 20 anos do Plano Real, salário teve alta de 1.019%

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Nilton Belz: “O brasileiro deveria ganhar cerca de R$ 2, 896
para não passar aperto financeiro” (Foto: Arquivo pessoal)

*Jornalista
Felipe José de Jesus

O ano de 1994 foi marcado por uma mudança na economia brasileira com a entrada do Plano Real, criado pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso. Hoje, 20 anos depois o Real, teve alguns altos e baixos, como a valorização do salário mínimo do trabalhador brasileiro que aumentou 1.019,2%, saindo de R$ 64 em 1994 para R$ 724 em 2014. No entanto, uma pesquisa recente do Instituto Assaf (Finanças e Valor) apontou que se descontada a inflação das duas décadas, a alta se reduz a 146%, ou seja, bem abaixo das expectativas.

Em entrevista, o economista e professor de MBA na faculdade BI International, Nilton Belz, diz que o Plano Real gerou o fim de hiperinflação, mas ele lembra que o salário mínimo deveria ser quatro vezes maior. “O crescimento sustentável de longo prazo da economia brasileira não ocorreu como era esperado. O mínimo deveria ser maior para atender as necessidades dos trabalhadores”, afirma.

A alta no salário mínimo de R$ 64, em 1994, para R$ 724 em 2014 foi boa para os trabalhadores?

A alta do salário mínimo no período de 20 anos foi relativamente boa, mas não o suficiente para gerar um poder aquisitivo que atenda às reais necessidades do cidadão brasileiro. Houve uma melhora insuficiente da relação entre o mínimo efetivo e o mínimo necessário, passando de uma faixa de 10% para 24%.

 

O Plano Real foi à melhor estratégia já utilizada pelo governo para o fortalecimento da economia?

Ele foi necessário e gerou o fim de hiperinflação no país, quanto a isso não tem como contestar. Mas, o crescimento sustentável de longo prazo da economia brasileira não ocorreu como era esperado e podemos perceber isso analisando os indicadores atuais.


Houve um ganho real para os trabalhadores nestes 20 anos do Plano Real?

Podemos utilizar a mesma análise do salário mínimo para avaliar o poder aquisitivo do trabalhador, ou seja, houve lucro, mas insuficiente ao longo de duas décadas. As diversas bolsas criadas pelo governo federal ajudaram na redução da pobreza, mas elas não resolvem de forma consistente os problemas de falta de distribuição de renda e do baixo poder aquisitivo da população. Isso é verdade.

Com a inflação corroendo o salário dos trabalhadores, o que o governo federal pode fazer para controlar a situação?

A inflação reduz o poder aquisitivo da população e, atualmente, está ultrapassando o teto da meta do Banco Central. Paralelamente, vale mencionar que o mínimo tem correção pelo Produto Interno Bruto (PIB) e seu fraco resultado também gera efeitos negativos para à inflação. O governo federal precisa encontrar e programar medidas eficazes para garantir o fortalecimento da economia brasileira e do salário mínimo.

Em sua opinião, com a inflação na casa dos 7%, quanto o salário mínimo deveria ser?

O salário mínimo deveria ser pelo menos quatro vezes o atual para atender as reais necessidades do trabalhador. Ou seja, o brasileiro deveria ganhar cerca de R$ 2, 896 para não passar aperto financeiro.

Com o valor atual do mínimo e a alta no custo de vida, quais podem ser os investimentos para quem deseja poupar? E em quanto o salário deveria ser ajustado em 2015?

Os investimentos mais indicados são aqueles que no mínimo gerem o retorno acima da inflação. Se conseguir um ganho real, daí é melhor para o investidor. Temos diversas opções na renda fixa e variável, considerando alguns riscos inerentes a cada investimento. O aumento do salário mínimo real deve ser acompanhado de um conjunto de medidas econômicas de curto, médio e longo prazo. Portanto, não tem como fechar um valor exato para o ano que vem.

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