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Por Leonardo Oliveira

Confesso que hoje reúno um pouco mais de condições para falar de forma pessoal sobre a tragédia com a Chapecoense. Eu não tinha a menor condição de escrever algo naquele momento. Estava muito abalado. Fui um dos primeiros a receber a informação e publicar. O que é bem diferente de opinar. Consegui publicar algumas notícias mas estava sem condições de opinar aqui sobre.  O Blog foi um dos primeiros a noticiar o fato que ninguém nunca gostaria de noticiar. E que se dane se eu fui dos primeiros. Não há mérito em falar de tragédia. É tudo o que não queremos falar. É difícil. É a pior parte da vida de quem trabalha com isso. Lidar e informar com fatos, algo que te deixa atordoado. E isso deixou a Imprensa em geral assim, da mesma forma que toda a população brasileira.

É duro falar da morte de pessoas que você conhecia e admirava. Me lembro do repórter da TV Globo Guilherme Marques no tempo que eu trabalhava lá. Sempre com sorriso no rosto se mostrava muito simpático, atencioso e sempre procurava ajudar aos iniciantes, dando dicas, conselhos.

Ari Junior foi uma inspiração para qualquer pessoa que quer ser cinegrafista. Tremendo câmera. Assista ao programa Planeta Extremo e confira por si. Guilherme Van der laars produziu diversas matérias fodas para a Globo. Grande produtor.

Aí vamos pra FOX e vejo ali Victorino Chermont, um dos maiores repórteres esportivos do Brasil. SporTV, Band, Rádio Globo e agora FOX Sports. Me lembro que na Copa do Mundo de 2014 eu conversei com ele uma vez e disse que admirava muito o seu trabalho, um exímio repórter sempre em cima da notícia. Ele sorriu e agradeceu. PJ Clement, grande comentarista ainda mais falando do Fluminense.Grandes passagens pelo O Globo, Rádio Globo e agora FOX. Exímio comentarista além de muito sério. Mário Sérgio, ídolo do futebol pela sua genialidade com a bola nos pés. Craque. Ele era comentarista da própria Fox e eu gostava bastante de seus comentários.

Câmeras, técnicos para montar transmissões, jornalistas, repórteres, narradores se foram.

A Imprensa catarinense, carioca .. brasileira perdeu nomes importantes. Morreram jogadores, treinadores, equipe que trabalhava com o técnico, dirigentes. É difícil segurar.

Acho que tudo que era pra ter sido dito sobre a tragédia com o avião que levava o time da Chapecoense para Medellín jogar a primeira partida da final da Copa Sul-Americana já foi dito. Foi a pior tragédia da história do futebol, sem exagero e um dos maiores da aviação civil no mundo. 71 pessoas morreram nessa tragédia.

Me lembro que quando eu comecei a acompanhar a Chapecoense lá em 2007, 2008 quando ela ainda jogava apenas as fases preliminares de Copa do Brasil e perdia para os grandes. Em 2013 eu acompanhei melhor por conta do desempenho incrível na Série B junto com o Palmeiras. E não é que eles vieram em 2014 e fizeram bonito na Série A? Ficaram na primeira divisão e com jogos marcantes como as goleadas em cima de Internacional (5 a 0 na Arena Condá) e Fluminense (4 a 1 de virada em pleno Maracanã), aliás um dos jogos em que eu mais fiquei puto. Não pela Chape, e sim pelo técnico Cristóvão Borges.

Em 2015 o time foi melhor, ganhou de novo do Fluminense no Maracanã e goleou o Palmeiras de forma impetuosa em casa. Chegou as quartas da Sul-Americana eliminando o Libertad do Paraguai e jogando muito contra o River Plate da Argentina. Dessa vez seria diferente, a equipe estava na final da competição. O Atlético Nacional de Medellín era amplo favorito afinal é a equipe campeã da Libertadores da América, e a Chapecoense não poderia jogar a partida final em casa. Mas o país já estava simpático a Chape. Virou sensação. Era a torcida de todos para que a Chape ganhasse o título.

Mas aí, uma tragédia muda tudo. Muda a vida e o destino de um clube, de duas cidades, de dois países, de pessoas, familiares, muda o destino do futebol no mundo. A Chapecoense é nesse momento a equipe de futebol mais conhecida e falada no mundo. Entrou pra história. Virou um mito. Um clube que estava crescendo a olhos vistos com uma administração saudável e profissional e que agora vai ser impulsionado de maneira impressionante e com a ajuda de todos nós, independentemente de time, camisa, torcida.

71 vidas perdidas, destruídas por falhas que até agora apontam para falha de combustível por conta de economia da empresa aérea. Jogadores que eu conhecia bem como Cléber Santana, Kempes, Bruno Rangel que era ídolo da cidade, Josimar que jogou no Inter por exemplo. Lucas Gomes jogou no Flu ano passado e estava voltando a ter boas atuações. Arthur Maia e Marcelo jogaram no Flamengo ano passado. Mas também jovens que tinham a esperança de crescer cada vez mais no futebol. O futebol é uma incógnita. A vida é uma incógnita, assim como a morte, que mesmo sendo a única certeza da vida ainda desperta dor, tristeza, revolta.

Caio Jr, que foi muito crucificado no futebol principalmente pela sua passagem no Botafogo, mostrava se reconstruir tanto que era sondado para o Vasco nesse final de ano. Caio vivia um momento incrível na sua vida, na sua carreira. Bons tempos fora o ajudaram. Mostrava evolução tática. Era um novo Caio Jr.

O país está triste, a cidade de Chapecó está abalada. O mundo do futebol está triste. Não há clima pra nada. Acertadamente as rodadas do Campeonato Brasileiro e a final da Copa do Brasil foram adiadas.

As causas da tragédia precisam ser esclarecidas. Esse avião da empresa aérea LaMia é o mesmo que na viagem da seleção da Argentina após uma partida das Eliminatórias causou problemas aos jogadores com transtornos no vôo. A empresa buscava sócios, estava com poucos recursos, o dono da empresa era o piloto do Avião. Essa empresa nem deveria mais circular aviões como os daquele modelo, que deixaram de ser fabricados em 2001.

Os clubes brasileiros se mobilizaram e estão homenageando a Chape, seja com seu escudo nas redes sociais mas também com ações práticas como o empréstimo gratuito de jogadores em 2017, assim como o pedido para que a Chape não seja rebaixada até 2020 mesmo se ela ficar na Zona de rebaixamento. É o pior momento na vida de um clube, da cidade, do estado e do país.

Quem dera que a maior tragédia da história do futebol brasileiro ainda fosse os 7 a 1 contra a Alemanha e não esse dia que será impossível esquecer, infelizmente.

É preciso, acima de tudo celebrar a vida. A homenagem feita pelo Atlético Nacional foi sensacional, linda, emocionante. O Estádio Atanasio Girardot estava lotado para o mais lindo gesto já visto no futebol. Mais que isso, a equipe colombiana ainda solicitou a Conmebol dar o título a Chapecoense. Não há o menor sentido pensar em jogo e em disputa de campeonato agora. Foi de chorar. FOX também fez uma homenagem linda ao ficar “fora do ar” no exato momento que seria o da partida e ainda colocar o placar em tempo real do que deveria ser o espetáculo.

Soube da tragédia por volta de 3 e meia da manhã. O Renan Portela nosso colunista me mandou uma mensagem dizendo que tinha lido sobre tal notícia num site colombiano e me mandou, extremamente preocupado. Fui ver, queria ver mais.. abri o Clarín. Renan me confirmou pelo Portal F também. Eu queria ver algo na Imprensa daqui. Saiu no Zora Hora. E no que saiu lá, publicamos direto e passamos informações sem sacanagem, sem sensacionalismo barato e com uma revolta impressionante por tudo aquilo que estava acontecendo. Eu não queria acreditar. Não queria que aquilo fosse verdade. A partir daí foi SBT e depois Globo.. e já era.. Não queria é imaginar que tudo aquilo que a Chape levou anos pra construir acabasse ali tão rápido. Não queria imaginar que no avião haveria 71 mortos. 71 famílias chorando a dor das suas perdas. É doloroso demais.

Mães, pais, filhos. Um dos jogadores mortos acabou de descobrir que será pai? E agora?

O que vai acontecer com uma empresa que deixa um avião cair, o que vai acontecer com os familiares que vão conviver com essa dor para sempre? Não sei.

Com a Chape eu sei. Ela será ainda maior do que já é. Ganhou a simpatia e o amor de uma parcela gigantesca da população brasileira.

É difícil reunir palavras e condições para falar disso. Mas é momento de ajudar e sem demagogia. As famílias, a cidade, ao clube sem querer nada em troca.

A Chapecoense deixa de ser apenas um clube do interior de Santa Catarina e vira um clube amado no mundo inteiro, que a mobilização de força e solidariedade continuem, que a Chape volte a crescer mas sem nunca esquecer dos heróis que não estarão mais ali para ver o time deles campeão.

Mas a Chape já é campeã. De tudo! Força Chape.

Leonardo Oliveira é Jornalista e artista e que quer fazer deste espaço um ambiente livre e Independente e plural. Passou pelos sites “Na Tijuca” e “SRZD”, pela “Agência Jovem de Notícias” e pela TV Globo no quadro do RJTV, “Parceiros do RJ” (Blog: https://blogleonardooliveira.wordpress.com/)