Enquanto a fervura aumenta em Brasília, as lideranças políticas estaduais e municipais põem as barbas de molho para não serem fritadas no óleo quentíssimo da mesma crise. Como a capital mineira é palco e caixa de ressonância do que se passa no país, especialmente sobre os brasileiros, as pesquisas tentam ver o que se esconde sob o manto do novo, da perplexidade, desdobramentos e dos efeitos do terremoto político. De acordo com o que se viu até agora, pela ótica do eleitorado belo-horizontino, o quadro está abertíssimo após algumas constatações.

A primeira delas é que, para a próxima eleição, o PT e a influência do governador Fernando Pimentel, que já não era boa, despencaram a ponto de que o melhor é não sair de casa. Quando venceu as eleições em 2014, Pimentel já havia perdido na capital para o tucano Pimenta da Veiga, que derrotou no Estado. De lá pra cá só fez piorar em função do desgaste acumulado com a crise nacional. Não é à toa que, como já informei aqui, Pimentel redirecionou sua administração para o interior mineiro, onde poderá ter melhor avaliação e até influência na sucessão municipal deste ano.

Como grandes e mais influentes eleitores, ainda figuram os senadores tucanos, Aécio Neves (presidente nacional do PSDB) e Antônio Anastasia. As mesmas pesquisas ressalvam que o prestígio deles não cresceu, mas o dos adversários é que piorou. Nessa medição feita, o diagnóstico é que o PT, para a eleição de 2016, em Belo Horizonte, e o eventual candidato do governador, ou de alguém alinhado, não têm chance alguma.

Mais envolvidos com a crise nacional, na qual Anastasia virou relator da Comissão do Impeachment, no Senado, e Aécio, espécie de interlocutor de eventual governo do peemedebista Michel Temer (vice-presidente da República), em caso de impedimento da presidente Dilma Rousseff (PT), os dois tucanos mantêm-se distantes das articulações eleitorais. Outro grande eleitor na capital, o prefeito Marcio Lacerda (PSB) terá que provar que pode caminhar sem (e contra) o apoio dos tucanos após romper a aliança com eles.

 

Aliados do prefeito viram oposição

A próxima eleição de outubro será o grande teste político de Lacerda, para saber se ele é  capaz de, sozinho e sem força política, sair vencedor. Escolheu o caminho mais difícil, claro, baseado em seu planejamento. Ao contrário do que seus aliados dizem e que os números lhe mostraram, Lacerda vetou muitos nomes e fez escolha pessoal e não política. Recorreu até a alguns argumentos e técnicas marqueteiras para dourar a argumentação, mas prevaleceu a escolha pessoal, porque não confia na classe política que o elegeu e sustentou até agora. Seu candidato deverá ser o executivo Paulo Brant, atual presidente da Cenibra.

O prefeito aposta nos ventos da mudança e nos desgastes dos políticos ditos tradicionais, mas seu método também é ao tirar coelho da cartola. Já o eleitor vive um momento protagonista, quer buscar o próprio caminho, razão pela qual nomes de fora (outsiders), que não estão na frequência dos convencionais, podem ter alguma chance. O ex-presidente atleticano Alexandre Kalil busca trafegar nessa faixa, exibindo trunfos na atitude e postura, mas carece de articulação política.

Fonte: Jornal Hoje em Dia – Orion Teixeira é jornalista político. Escreve de terça-feira a domingo neste espaço.