A crise da classe política, aliada à redução do período de campanha, que passou de 90 para 45 dias, além da duração menor das propagandas no rádio e na televisão, podem fazer com que candidatos já conhecidos, mas sem histórico na política, como o ex-presidente do Atlético Alexandre Kalil, pré-candidato do PHS à Prefeitura de Belo Horizonte (PBH), sejam favorecidos nestas eleições. Essa é a avaliação de marqueteiros políticos ouvidos pelo Aparte.

Segundo o paulista Marco Iten, a análise de algumas pesquisas indica que há uma aceitação maior, principalmente por parte do eleitorado que acompanha o cenário político, por nomes que ainda não têm um histórico em mandatos eletivos.

“O eleitor que acompanha a política tem uma repulsa maior aos políticos tradicionais. E essa massa, o chamado formador de opinião, ajuda outras pessoas a definirem o voto. Com isso, quem ainda não tem vida política, leva certa vantagem”, afirma.

No entanto, Iten pondera que esse perfil de candidato precisa mostrar para os eleitores que entende de política. “É preciso que o candidato mostre que entende das nuances da política, que será um bom gerenciador do Executivo. Porque mais do que ser conhecido, e de não ter um histórico político, o candidato precisa mostrar que também tem credibilidade”, avaliou.

Já o consultor de marketing político, o jornalista e publicitário Chico Santa Rita, que já prestou serviços a nomes como Mário Covas e Ulysses Guimarães, explica que os candidatos que são conhecidos por grande parte do eleitorado levam vantagem quando comparados com nomes que só serão conhecidos pela população durante o período de campanha eleitoral, que começa no dia 16 de agosto.

“Temos só 45 dias de campanha, e o tempo de rádio e televisão é menor. O horário eleitoral só terá dez minutos de duração, vai ser muito fatiado para a grande quantidade de partidos. Então, os candidatos não terão tempo de discutir muitos as propostas e de contarem as suas histórias nos comerciais. Eles terão que ir direto ao ponto. Assim, no nosso entendimento, se o candidato for conhecido, e se tiver uma campanha bem articulada, ele pode chegar ao segundo turno”, explica Chico.

Falando em articulação, Kalil já reúne em torno de si uma equipe de notáveis da comunicação. Perto de uma definição sobre a decisão de ser ou não candidato, o ex-presidente do Galo vem recebendo conselhos do marqueteiro Augusto Fonseca, que ajudou a eleger Marta Suplicy e Fernando Pimentel para os cargos de prefeito de São Paulo e BH. Paulo Vasconcelos, que cuidou de campanhas de Aécio Neves e Antônio Anastasia, também está entre o grupo de conselheiros, que ainda pode contar com a experiência de Marcos Coimbra.