Morreu nesta segunda-feira (9) aos 93 anos o professor Aluísio Pimenta, primeiro reitor da Universidade do Estado de Min as Gerais (UEMG). Ele estava internado em decorrência de um Acidente Vascular Cerebral (AVC).

ele será velado a partir das 8h na Academia Mineira de Letras, localizada na rua da Bahia 1.466, no Centro de BH. O sepultamento será às 16 horas no cemitério Parque da Colina, na rua Santarém, 50, bairro Nova Cintra, região Oeste de BH.

É dele a célebre frase “Só a educação fará do Brasil um país fácil de governar, difícil de dominar e impossível de escravizar. Esta é minha convicção.”

Aluísio Pimenta era formado pela Faculdade de Odontologia e Farmácia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Foi professor e reitor da UFMG, onde modernizou o ensino com reformas e foi fundamental para a criação do campus na Pampulha.

Perseguido pelo Ato Institucional 5 (AI-5), passou 17 anos fora do Brasil, aproveitando para participar de projetos diversos de educação, ciência e tecnologia em diversos países da Europa, Ásia e nos EUA.

Foi também Ministro da Cultura no governo José Sarney e assessor especial do então governador Aécio Neves.

Foi É doutor honoris causa da UERJ, membro da Academia Mineira de Letras e membro do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais, e membro da Real Academia de Farmácia de Madrid (Espanha) e da Ordem Nacional do Mérito da França. recebeu as medalhas Infante D. Henrique de Portugal, Inconfidência, Santos Dumond,  Assembléia Legislativa do Estado de Minas Gerais e Mérito Educacional do Ministério da Educação do Brasil.

HISTÓRIA

“Só a educação fará do Brasil um país fácil de governar, difícil de dominar e impossível de escravizar. Esta é minha convicção.”

Aluísio Pimenta (1923-2016)

Se encantou, hoje, o valente e destemido, Professor, humanista, “socialista liberal” – como se definia – e democrata radical, Aluísio Pimenta. É uma perda e tanto para Minas e o Brasil. Este – mineiro de Peçanha – foi um desses nossos brasileiros fundamentais,

Foi o mais jovem Reitor da UFMG, eleito e nomeado por Jango e Darcy Ribeiro em lista tríplice elaborada pelo Conselho Universitário em 1964, quando modernizou o ensino universitário com as reformas da universidade, deu importantes passos para a implantação do Campus Universitário da Pampulha, defendeu e lutou pela autonomia universitária, foi cassado (aposentado compulsoriamente pela Ditadura por meio do AI-5 em 1968) -; exilado, passou 17 anos fora do país onde lecionou em diversas universidades, participou de projetos na China e Japão, dirigiu o BID, Ministro da Cultura – indicado por Tancredo – foi também Presidente da Fundação João Pinheiro e sua grande “causa de vida” foi Reitor da UEMG – que deve a ele com sua luta persistente, sua concretização e interiorização como Universidade multi-campi.

Entre outras funções na vida pública, teve profunda e intensa participação e produção intelectual nas discussões dos problemas de desenvolvimento regional, ciência e tecnologia, universidade pública, meio ambiente, cultura e educação nacionais.

Me sinto honrado por ter lutado batalhas sob seu comando, pela UEMG, sempre, incluindo a fascinante, heróica e “quixotesca” candidatura ao Senado em 1994, quando fui um dos coordenadores voluntários, em que percorremos grande parte das Minas Gerais – muitas vezes, e na maior parte delas, num VWGol, muito rodado, com caixa de som em cima, ele numa energia inesquecível, subindo e descendo morros e planícies, sorridente, falando no som improvisado em cima do Golzinho para os mineiras e mineiras de todas as idades e origens: Educação plena, Ciência e Tecnologia, Universidade Pública, Cultura, Juventude. Dormíamos no carro, nas viagens pelas madrugadas. Ficou em quarto lugar, com um milhão de votos, numa campanha, que na época,elegeu dois ex-Governadores…

Mais tarde, com o privilégio de sua amizade, já fora do poder e na oposição em Minas – ” Quando a gente está fora do poder, nasce capim na porta da casa da gente” – sábio Professor… acorria aos seus chamados de improviso para reuniões matinais – regadas com uma cachacinha ou vinho do porto e farto pão de queijo -, análise de conjuntura e “conspirações”, pela UEMG, na sua casa modernista e aconchegante, na Rua Angustura, no bairro Serra em BH .

Que ele siga em paz e o seu legado seja defendido e sustentado pelas gerações de hoje e as que virão. Estarei amanhã na Academia Mineira de Letras prestando minha homenagem ao Professor e ao velho companheiro – assim ele nos chamava -, de lutas comuns, que generosamente me acolheu como amigo durante nossa convivência desde o ano de 1990. Fará muita falta. Sua obra permanece e seus ideais e convicções são tanto e muito necessários ao país nessa hora.