As articulações para conquistar aliados na disputa pela Prefeitura de Belo Horizonte na última semana foram intensas e geraram reviravoltas. Apesar do fim do prazo para convenções, no dia 5, as tratativas continuam até o dia 15, data final para registrar as candidaturas. O principal motivo das intensas negociações é um só: os preciosos segundos de rádio e televisão no programa eleitoral com que cada sigla pode contribuir.

O tempo de divulgação na mídia aberta ficou menor com as mudanças na legislação. Agora, são dois blocos de dez minutos por dia para os candidatos a prefeito, sendo um minuto dividido proporcionalmente pelos partidos e o restante de acordo com o tamanho das bancadas na última eleição. Antes, eram dois de 30 minutos. Em 2016, ainda haverá 70 minutos ao longo do dia para inserções com candidatos a prefeito e vereador. Em uma disputa tão pulverizada como a deste ano, hoje com 12 nomes, a fração de cada chapa, naturalmente, também caiu, atingindo o mínimo de 2 segundos. Por isso, a busca pelas alianças com grandes partidos, que possuem uma fatia maior do bolo dividido pelo tamanho da bancada, se tornou mais intensa.

Alianças. Quem angariou mais espaço foi o deputado estadual João Leite (PSDB). Com apoio de DEM, PPS, PP, PRTB e PRB, ele tem cerca de 2 minutos e 43 segundos no bloco de dez minutos, um quarto do total, segundo estimativa da reportagem. A cota de cada coligação será definida pelo Tribunal Regional Eleitoral de Minas (TRE–MG).

O segundo maior tempo é o do vice-prefeito Délio Malheiros (PSD). Até a última sexta-feira, seu único aliado era o Solidariedade, e ele teria 58 segundos. Com a mudança de posição do PSB, que desistiu da candidatura de Paulo Brant e aderiu a campanha de Malheiros, ele passa a ter 1 minuto e 43 segundos. O PSD levou ainda o PMN e o PMB, que estavam com o antigo candidato do prefeito Marcio Lacerda.

“O tempo que a gente tem é suficiente para apresentar as propostas, debater a cidade e dialogar com a população”, avalia Malheiros.

A chapa de Rodrigo Pacheco (PMDB), que tem a adesão do PTN e do PSC, soma 1 minuto e 34 segundos. “Além disso, tenho as inserções. Em uma campanha pulverizada, é um bom tempo. Vamos otimizá-lo para apresentar nossas propostas”.

O petista Reginaldo Lopes, com o apoio do PCdoB, deverá contar com 1 minuto e 17 segundos. “Independentemente de quanto tempo vou ter, para o modelo de campanha que optei, de não falar o que fazer, mas como fazer, precisaria de muito mais tempo. Mas não quero ser um candidato artificial e superficial”, disse Lopes. Ele afirmou ainda que fortalecerá a campanha de rua e que usará as redes sociais.

O deputado estadual Sargento Rodrigues (PDT) vai junto com o PTB e pode ter 50 segundos. “Acho que tenho uns 53 segundos e ainda dez inserções por dia. Vamos ter condições de alavancar a candidatura e vamos trabalhar com as mídias sociais”.