Brincar e incluir

Em tempos digitais, escolas apostam em métodos lúdicos como diferencial para o público infantil. Aprender brincando é uma forma muito usada por escolas que mostram como vai ser o futuro no ambiente. Enquanto a tecnologia se mostra cada vez mais presente na vida de crianças de pouca idade, que às vezes sequer desenvolveram plenamente a fala ou outras habilidades cognitivas e se mostram totalmente familiarizadas com objetos tecnológicos como tablets, computadores e celulares, o brinquedo volta a reforçar a sua importância. Quem garante isso é a professora Ana Gurgel, diretora do Twice, sistema bilíngue presente em escolas de vários Estados, e a fonoaudióloga Dani Damasceno, do espaço Aprendendo a brincar na mesma roda, voltado para crianças autistas.

Com o passar do tempo, os jogos eletrônicos, por exemplo, se tornam corriqueiros no dia a dia dessas crianças, cada vez mais afastadas dos benefícios que os brinquedos tradicionais proporcionam para o desenvolvimento psicomotor e cognitivo, ajudando também a incluir crianças que possuem dificuldades de linguagem. Para trabalhar com o lúdico, Ana criou, juntamente a um pool de outras professoras e autoras, mais de 180 jogos e brinquedos baseados em clássicos como dominó e jogo da memória, para facilitar o aprendizado da língua inglesa na educação infantil. “Os jogos tradicionais estimulam a sociabilidade entre as crianças, o raciocínio lógico e, claro, são aliados poderosos no ensino da língua. Durante as jogadas, as crianças exercitam o diálogo em inglês e enriquecem seu vocabulário”, afirma.  A diretora Alessandra Acosta, do colégio Creative Learning Center, de Ponta Grossa (PR), orgulha-se de Victor, aluno autista que inicialmente quase não interagia. Hoje o menino já fala em dois idiomas, devido a esse universo lúdico criado pelo Twice em parceria com o colégio.

Já Danielle Damasceno, formada em fonoaudiologia, se especializou no desenvolvimento das habilidades cognitivas das crianças que possuem o espectro autista com dificuldades de fala, linguagem e aprendizagem. O espaço Aprendendo a brincar na mesma roda, onde é seu consultório, também aposta na brincadeira para a inclusão da criança autista. Todas as atividades são “brincadeiras” para as crianças, que podem ser atendidas pela especialista desde bebê até os 13 anos de idade. “A proposta é fazer a criança achar que está apenas brincando e, assim, trabalhar as habilidades necessárias para que o objetivo do plano terapêutico seja concretizado”, finaliza ela, que salienta a importância de levar o tratamento para as escolas, que devem ter uma mediadora para inclusão de crianças deficientes na sala de aula.