Em maio, a Google suspendeu o seu relacionamento com a Huawei à luz de um decreto do governo dos EUA que impedia que as empresas americanas trabalhassem com empresas que fossem consideradas um “risco à segurança nacional”. Isso efetivamente cortou a Huawei do Android – o sistema operacional que alimenta seus smartphones.

As empresas de tecnologia dos EUA receberam um prazo de 90 dias em que puderam continuar a trabalhar com a Huawei. Isse prazo expirou em 19 de agosto, mas o governo dos EUA já forneceu uma prorrogação secundária de 90 dias, que avança o prazo até 19 de novembro.

O secretário de Comércio dos EUA, Wilbur Ross, anunciou o indulto hoje, mas a decisão foi acompanhada por más notícias. Tempo for dado para permitir que os clientes tenham mais tempo para “se livrarem” dos produtos da Huawei. Outras 46 empresas afiliadas à Huawei entraram na lista negra econômica.

Ainda não conhecemos todas as consequências dessas decisões, mas elas têm implicações importantes para a Huawei como empresa e, potencialmente, para quem possui um smartphone Huawei.

O Android é um sistema operacional de código aberto, a versão base – o Android Open Source Project, ou AOSP – é gratuito para qualquer um utilizar. O AOSP, no entanto, não inclui aplicativos ou serviços da Google. Estes incluem o Google Play Store, o Google Maps, o YouTube, o Gmail entre outros. Para enviar um telefone com os aplicativos da Google, um fabricante precisa licenciar esses produtos da Google.

Os dispositivos existentes da Huawei que já estão nas mãos dos consumidores e nas prateleiras continuarão a rodar aplicativos e serviços da Google, mas a Google não fornecerá mais licenças para os novos smartphones.

A Huawei, no entanto, confirmou que conseguiu negociar o acesso ao Android Q, enquanto sob o indulto. É incerto se isso inclui o próximo Mate 30, que pode já ter tido a certificação Android antes da proibição comercial dos EUA.

A Huawei pode continuar a usar o AOSP sem a necessidade do envolvimento da Google para futuros smartphones, mas a venda de um telefone Android sem acesso à Google Play Store seria inviável na maioria dos mercados.

Além disso, a Huawei está desenvolvendo o seu próprio sistema operacional, chamado HarmonyOS, que foi desenvolvido para rodar em qualquer dispositivo, desde smartwatches a smartphones e laptops. Ainda assim, em termos de celulares, a Huawei vê o HarmonyOS como um plano B. Isto uma vez que a Huawei continuará a preferir o Android para os seus sistemas. 

Ao contrário do Android da Amazon, o HarmonyOS não usa o AOSP como base; O HarmonyOS é um sistema operacional totalmente novo. Isso, no entanto, significa que os desenvolvedores também precisam trazer seus aplicativos para o HarmonyOS.

Embora a Huawei afirme que será fácil para os desenvolvedores transportarem os seus aplicativos Android para o HarmonyOS, há sempre a dúvida sobre se eles se incomodarão a fazê-lo. Mais importante, se as empresas americanas podem fazê-lo sem violar a proibição do comércio. Por exemplo, a proibição do comércio poderia tornar impossível para o HarmonyOS rodar o Facebook. 

Se possui um Huawei, fique descansado, pois todos os dispositivos Huawei existentes continuarão a funcionar normalmente por enquanto. A Google Play Store e os aplicativos do Google ainda funcionarão e os telefones e tablets Huawei continuarão a se beneficiar da segurança do Google Play Protect.

Mesmo depois da licença temporária expirar, a Huawei ainda poderá fornecer atualizações de segurança para seus dispositivos Android. No entanto, a Huawei só poderá implementá-las depois que delas estarem disponibilizadas para o AOSP. Isso pode tornar as atualizações de segurança menos pontuais e regulares.