Ana Paula Valadão, de 40 anos, voltou a se transformar em uma das famosas mais comentadas das redes sociais, nesta sexta-feira (20), ao escrever sobre a nova campanha da C&A. Para a cantora, que é evangélica, o comercial da marca de roupas trata-se de “um absurdo” por mostrar homens vestidos com peças femininas e vice-versa. A reação dela, no entanto, não foi bem recebida por usuários do Facebook.

Milhares de internautas comentaram o desabafo publicado por Ana Paula. A maioria deles é contrário à opinião da cantora, que se disse indignada com o vídeo da coleção “Misture, ouse e divirta-se”porque o mesmo provoca “para ver até onde a sociedade aceita passivamente a imposição da ideologia de gênero”.

“(…) eles fizeram todos nus como se fossemos criados iguais e temos o poder de escolha. Então chegam em um campo cheio de roupas e as mulheres começam a vestir as roupas dos homens e os homens as das mulheres. Que absurdo! Nós que conhecemos a Verdade imutável da Palavra de Deus não podemos ficar calados. Temos que #boicotar essa loja”, escreveu em um trecho da postagem.

“Cuida da tua roupa que tal? Parem de dar pitaco na vida dos outros, socorro”, escreveu uma internauta. “Daqui a pouco Jesus nem vai querer mais voltar só de vergonha de olhar pra tua cara”, comentou outro. E  as críticas não pararam por aí.

“No tempo que você fica querendo boicotar as coisas na Internet, você podia tá evangelizando ou lendo a Bíblia por exemplo. Vai arrumar alguma coisa pra fazer”, recomendou uma terceira usuária. “Que vergonha pra uma mulher que se diz ‘cristã’ se dizer indignada por uma bobagem dessas em um momento histórico com tanta coisa triste é ruim de verdade acontecendo no mundo”, completou outra.

Veja a publicação (clique na imagem para ampliar):

napaulanapaula

Ideologia de gênero

Evangélicos de determinadas denominações defendem que a discussão da chamada “ideologia de gênero”, que envolve assuntos como igualdade, identidade de gênero, orientação sexual e sexualidade, seria capaz de acabar com os conceitos de homem e mulher e destruir o modelo tradicional de família, composto por homem e mulher.

O tema começou a ser debatido no Brasil, em 2014, quando o Plano Nacional da Educação (PNE) para os dez anos seguintes estava em votação no Congresso Nacional. Grupos pró-diversidade apoiaram a iniciativa, vista como uma oportunidade para se abordar novas configurações familiares, já que nem todas são compostas apenas por pai e mãe, e diminuir o preconceito contra minorias.

O texto do PNE foi aprovado, mas com vetos. O documento deixou de fazer menção à questão da “ideologia de gênero” e a decisão de incluir as discussões nas disciplinas das escolas ficou por conta dos Estados e municípios.

Homem de vestido?

Marcas de diferentes países têm investido, há algum tempo, na criação de roupas “sem gênero”. A proposta tem como objetivo, em teoria, criar peças que possam ser usadas tanto por homens quanto por mulheres. No entanto, a iniciativa divide opiniões. Alguns profissionais da moda entendem que a criação dos rótulos “masculino” e “feminino” para as roupas é o que dificulta a liberdade do público na utilização das peças, seja qual for o gênero ou a orientação sexual de quem veste: calças, camisas, vestidos e saias deveriam ser feitos para todos.

A blogueira Nadia Schmit, de Belo Horizonte,escreveu sobre o assunto para o Huffington Post Brasil. Ela é criadora do Projeto Moda Social, que busca desenvolver novos conceitos, ampliar o ramo da moda e cooperar para um mundo melhor, dividindo conhecimentos sobre a área com quem tem interesse.