Ícone do site Jornal Correio Eletrônico

Projeto de lei que reserva espaço exclusivo para as mulheres no metrô de BH divide opiniões

Nos próximos dias, chega às mãos do prefeito Marcio Lacerda o projeto de lei que prevê a criação de um vagão exclusivo para mulheres no metrô de BH. Aprovada em segundo turno na Câmara Municipal, na quinta-feira, a proposta parece agradar usuárias que reclamam de constantes assédios sexuais de homens no sistema de transporte, principalmente nos horários em que ele está mais cheio. A proposta, porém, é polêmica e divide opiniões entre os usuários do sistema.

Apesar de nunca ter sido alvo de homens maliciosos no metrô, a vendedora Eva Lúcia Machado da Silva, de 25 anos, avalia a proposta como favorável. “Não podemos confiar em ninguém. Muitos homens aproveitam que o vagão está cheio para abusar das mulheres”.

O metrô do Rio de Janeiro criou o ‘vagão rosa’ em 2006; proposta similar foi vetada pelo governo do Estado deSão Paulo

Por sua vez, a estudante Lorraine Ferreira, de 20 anos, conta já ter sido assediada uma vez no metrô. “Eu estava em pé e um homem, aproveitando que o metrô estava muito cheio, se aproximou e passou a mão em mim”. Mesmo considerando a proposta interessante, Lorraine acha que existem outras prioridades na cidade.

Já o consultor comercial Frederico Cangussu, 31 anos, acredita que essa não será a melhor solução para o problema de assédio. “É uma questão mais cultural. Devemos agregar as pessoas e não separá-las”.

A professora Yumi Santos, do Departamento de Sociologia da UFMG, observa que o projeto de lei é uma medida paliativa para evitar assédio sexual em lugares públicos. Porém, para ela, é preciso aprofundar o debate em relação ao machismo e “procurar criar espaços públicos seguros para as mulheres onde quer que seja”.

CBTU é contra

De autoria do vereador Léo Burguês, o projeto de lei que cria o vagão exclusivo tramita na Casa desde 2013. A proposição foi apresentada a partir de um abaixo-assinado com mais de 12 mil assinaturas de usuárias do modal. Pela proposta, os demais vagões continuariam de uso misto.

Em nota, a CBTU informou que, em 2014, uma pesquisa realizada pela companhia apontou que cerca de 49,8% dos usuários de metrô são mulheres, e a destinação de um vagão por trem não seria suficiente para atender a demanda. Os dez novos trens, já em circulação no sistema, também contribuem para inviabilizar a execução da lei proposta, informou o texto

Por meio de nota, o superintendente da Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) em BH, Miguel Marques, Miguel Marques, afirmou que o órgão é contra a criação de vagão exclusivo destinado ao público feminino. “Relatórios técnicos comprovam que a destinação de vagões para esta finalidade provocaria um desequilíbrio na distribuição de passageiros, impactando na operação diária e comprometendo os indicadores de qualidade”, disse no texto.

Sair da versão mobile