O Uber, aplicativo de caronas pagas, pode implantar no Brasil um modelo diferente de calcular o custo das corridas. Em vez de mostrar estimativas baseadas na distância e no tempo entre os endereços de partida e de destino do usuário e definir o valor apenas ao final do trajeto, como acontece hoje, haveria um preço fixo antes da corrida, e caberia ao passageiro chamar ou não o carro.

Essa forma de cálculo já funciona no Uber Pool, modalidade de serviço presente no Rio de Janeiro e em São Paulo em que os usuários podem compartilhar o veículo quando seguem na mesma direção. O valor final da corrida é definido pela distância, pelo tempo e pelo tráfego do local por onde o carro passará – rota que pode ser consultada por meio de um sistema de mapas online –, assim como na quantidade de pessoas que estão utilizando o aplicativo no momento e de motoristas nas proximidades.

Nas demais categorias, como Uber X e Uber Black, disponíveis em Belo Horizonte, é possível estimar o valor antes do início da viagem. No entanto, o preço pode variar durante o trajeto, caso aconteça, por exemplo, um acidente, e a corrida demore mais do que o previsto inicialmente.

O objetivo da mudança, de acordo com a empresa, é evitar surpresas para o usuário. “Saber quanto um passeio vai custar com antecedência é, claramente, algo que os usuários apreciam. Hoje a Uber Pool responde por mais de 20% de passeios de todo mundo, e agora queremos que mais passageiros possam se beneficiar desta funcionalidade globalmente”, informou a empresa, em nota.

Prática. A novidade está em fase de testes, desde abril, em cidades da Índia e dos Estados Unidos na categoria Uber X, e, por enquanto, não há previsão de ser implantada no Brasil.

Um motorista da empresa, que não quis ser identificado, espera que a mudança não chegue à capital. “O preço fixo não seria interessante, porque, se acontece um acidente depois que o cliente já pediu a corrida, o aplicativo não iria considerar o trânsito que eu iria enfrentar e o tempo que ficaria parado”, pontuou.

Para a encarregada de departamento pessoal Denise Braga, 44, que usa o aplicativo com frequência, o novo modelo pode ser positivo. “Seria mais tranquilo saber quanto vou gastar antes de confirmar a corrida”.

Saiba mais

Tarifas. No Uber X, a modalidade popular do aplicativo, o valor mínimo da corrida é R$ 7. O preço-base é R$ 2,70, cada minuto custa R$ 0,20, e cada quilômetro rodado, R$ 1,48. Já no Uber Black, a categoria de luxo da empresa, a corrida custa, no mínimo, R$ 10. O preço base é R$ 4,50, o minuto custa R$ 0,30, e o quilômetro rodado, R$ 2,17.

Preço dinâmico. É aplicado um multiplicador sobre o valor das corridas em momentos de alta demanda. Se o valor da corrida é R$ 10, por exemplo, um multiplicador de 1.5 eleva o valor da viagem para R$ 15.

Sistema de cálculo irá mudar

O sistema de preço dinâmico, que aumenta em períodos de alta demanda de viagens, também sofre alteração.

Hoje, quando o usuário pede um carro durante períodos de preço dinâmico, é informado sobre o multiplicador – quantas vezes mais cara a viagem ficará – e precisa confirmar ter ciência disso. Com a mudança, a tarifa final, definida antes da viagem, já teria embutido o multiplicador.

O passageiro é avisado que o preço sofreu alteração devido à demanda, mas não sabe quanto a mais vai pagar. O Uber informou que a medida simplificaria a corrida. (RM)