Capital Nacional da Hora do Planeta tem a maior área de placas
solares instaladas por habitante no Brasil

JORNAL MATÉRIA

(Foto: Divulgação)

* Redação JCE

Belo Horizonte tem sido protagonista no cenário nacional e internacional em ações voltadas às mudanças climáticas. Recentemente, a cidade foi eleita pelo segundo ano consecutivo pelo World Wide Fund for Nature (WWF) como a “Capital Nacional da Hora do Planeta – Desafio das cidades”, disputa promovida pela WWF, em parceria com o ICLEI – Governos Locais pela Sustentabilidade. A premiação também consolida a cidade como pioneira na aplicação do coletor solar para aquecimento de água e destaque mundial em números de edificações multifamiliares existentes com a tecnologia.

No parecer técnico do júri internacional consta que BH foi eleita porque “apresenta uma estratégia de baixo carbono integrada, guiada por uma visão forte e construída através de ações concretas”. Alguns dos critérios adotados para avaliação são iniciativas urbanas nos setores de energia, transportes, gestão de resíduos e construções para a transição a uma economia de baixo carbono e com 100% de energias renováveis nas próximas décadas. Entre os exemplos dessas ações, as que mais se destacam são aquelas voltadas para o setor de eficiência energética, como a Usina Solar Fotovoltaica instalada na cobertura do Mineirão, e o fato da energia solar térmica ter se desenvolvido de forma adequada na cidade.

Segundo o gerente de Planejamento e Monitoramento Ambiental da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Weber Courinho, a capital mineira tem a maior área de placas solares instaladas por habitante no Brasil (aproximadamente 326 m² por 1000 habitantes). “Dos 1,98 milhões de m² de coletores instalados em Minas Gerais, mais de 800 mil de m² encontram-se em Belo Horizonte”, afirma.

Na análise do engenheiro Rodrigo Cunha Trindade, vice-presidente de Relacionamento Institucional da Abrasip-MG (Associação Brasileira de Engenharia de Sistemas Prediais Regional Minas Gerais), diretor da Agência Energia e membro do Grupo BH Solar, esses números são ainda maiores. “Temos mais de 3.600 instalações em construções de grande porte, como edifícios residenciais, hotéis, motéis, hospitais, creches e vestiários industriais. Isso, sem contar as instalações unifamiliares, que hoje correspondem a grande parte das demandas nas empresas especializadas. Levantamentos realizados pelo setor mostra que não tem nenhuma cidade no mundo que tenha tantas instalações de grande porte como em Belo Horizonte”, afirma. Para Trindade, a cultura de adotar prioritariamente os aquecedores solares nas construções vem contribuindo em muito para a conquista do título de Capital Brasileira do Aquecimento Solar.

A tendência é de que este número se eleve a cada ano, pois, os governos estão cada dia mais interessados em implementar políticas sustentáveis. Além disso, com o aumento no preço da energia fornecida pelas companhias energéticas, tornou-se mais atrativo para os consumidores investir em sistemas de aquecimento e geração de energia fotovoltaica. “Observamos em nossa empresa um aumento substancial de demandas relacionadas  aos sistemas de energia solar e fotovoltaica. Os aquecedores solares sempre foram atrativos por proporcionarem retorno do investimento em prazos inferiores a três anos. Os sistemas fotovoltaicos, que apresentavam retorno de investimento em 10 anos ou mais, agora, se pagam em no máximo cinco anos. O aumento expressivo do custo da energia elétrica e a redução dos valores dos sistemas estão deixando as soluções renováveis ainda mais atrativas”, afirma.

Iniciativas solares em BH – Informações do relatório produzido pelo ICLEI sobre a capital belo-horizontina mostram que o município tem adotado uma abordagem proativa em relação aos problemas urbanos. A experiência de Belo Horizonte surgiu em 1990, da sinergia entre a Cemig (Companhia Energética de Minas Gerais, concessionária de energia elétrica local), a UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) e empresas envolvidas na instalação dos sistemas na cidade, com o intuito de pesquisar as potencialidades e perspectivas da aplicação da tecnologia solar na construção civil. Os resultados das pesquisas desenvolvidas pela Cemig mostraram que o uso do aquecedor solar proporciona uma economia frente aos gastos com chuveiro elétrico nos prédios que possuíam placas solares chegava a 80% da energia relacionada com o aquecimento de água.

Com relação à geração de energia solar por placas fotovoltaicas, ainda temos poucas unidades instaladas. Segundo Weber Coutinho, o destaque nesse segmento é a usina de geração do Estádio do Mineirão. De acordo com a legislação atual, esses sistemas de geração são reconhecidos pelas concessionárias de energia, como a CEMIG, que recebem essa energia e concedem descontos ao fornecedor/consumidor, ficando o excedente como crédito para este consumidor. “O mercado de engenharia de sistemas prediais contribui muito com a sustentabilidade, quando se propõe a projetar sistemas eficientes que possibilitem a redução dos consumos de água e de energia.  A concessão do Selo BH Sustentável por parte da PBH é o reconhecimento público dos empreendimentos que adotam as medidas de eficiência em busca da  sustentabilidade”, afirma Coutinho.

 

“Diante das mudanças climáticas e dificuldades impostas por ela, as tecnologias renováveis se mostram como uma solução viável, que alinham conforto e economia de energia. Estamos vivenciando um momento muito oportuno para avançarmos no desafio de ampliar esse mercado”, conclui Rodrigo Cunha Trindade.

Energia solar no Brasil e em Minas Gerais

O setor de energia solar térmica no Brasil cresce a uma taxa de 20% ao ano, tendo crescido 120% somente em 2001. Em termos de área instalada de placas solares por 1000 habitantes, tem-se a seguinte configuração:

– BH = 326 m² por 1000 habitantes.

– MG = 98,6 m² por 1000 habitantes.

– Brasil = 27,4 m² por 1000 habitantes.

– Total em Minas Gerais: 1,98 milhões de m² de coletores, dos quais mais de 800 mil de m² encontram-se em Belo Horizonte.

– Um sistema de aquecimento solar pode proporcionar economia anual de 30 a 60% na conta mensal de energia, dependendo do tamanho e dimensionamento, em qualquer região do Brasil.

– A Resolução Normativa 300/2008 da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) obrigou as concessionárias de energia a destinarem, no mínimo, 0,5% de sua receita operacional líquida, a cada ano, em programas que envolvam ações e projetos de eficiência energética. Em Minas Gerais, a Cemig tem aplicado boa parte desses recursos em aquecedores solares para conjuntos habitacionais.

– Em 2009, a Cemig instalou 7.500 sistemas de aquecimento solar em habitações populares no Estado de Minas Gerais, com previsão de instalação de mais 15.000 em 2010 (já licitados). Outros estudos de caso sobre eficiência energética e energias renováveis na Índia, Brasil e Europa, estão disponíveis no site do projeto ICLEI, Rede Elo.

Fonte: www.iclei.org/local-renewables