A apenas quatro dias do início da campanha eleitoral, quando os pré-candidatos a prefeito começam a cumprir agendas por Belo Horizonte, os nomes que estarão na disputa demonstram que ainda têm o que estudar sobre a cidade que pretendem administrar. A reportagem conversou com 11 dos 12 concorrentes – já que o deputado federal Luis Tibé (PTdoB) ignorou os pedidos de entrevista –, e o conjunto de respostas revela que, antes de começar a distribuir promessas nas ruas, eles precisam passar por um “intensivão” em questões como trânsito, Orçamento e obras.

Questionados sobre problemas que fazem parte do cotidiano da população, como os relacionados à mobilidade, a maioria dos pré-candidatos não soube dizer, por exemplo, quanto custa uma passagem de ônibus ou metrô. Alguns, apesar de já terem projetos para a cidade, desconhecem o Orçamento que deverão gerenciar, caso eleitos, em 2017.

O deputado estadual João Leite (PSDB) diz que nunca andou de Move, já que costuma se locomover a pé ou de carro, e quando questionado sobre as obras que a cidade espera, lembrou-se apenas da Via 710, que ligará diretamente as regiões Leste e Nordeste sem passar pelo centro. “A cidade hoje é muito dependente do carro, não tem possibilidade de transporte coletivo forte”, disse o tucano.

Por outro lado, João Leite tem conhecimento estimado de quanto é o Orçamento da cidade: ele afirmou que é de R$ 12 bilhões. Para 2016, o Orçamento previsto pela PBH era de R$ 12,2 bilhões. Em relação a 2017, o projeto de lei já aprovado na Câmara Municipal prevê R$ 10,8 bilhões. Por conta disso, foram consideradas corretas citações próximas dos dois valores.

O deputado federal Rodrigo Pacheco (PMDB) foi um dos que não souberam os valores das passagens, apesar de relatar já ter andando de Move “para experimentar”. “Achei que funciona bem, mas o acesso às estações e a segurança não são bons”, diz.

Pacheco, contudo, demonstrou ter conhecimento de obras importantes que a cidade aguarda, como ampliação do metrô, reforma do Anel Rodoviário e implantação do Rodoanel, que dependem de recursos federais e estaduais.

O vice-prefeito Délio Malheiros (PSD), assim como a maioria dos colegas, desconhece o valor médio das tarifas de coletivos e se lembrou de poucas obras. Porém, falou um valor próximo do Orçamento sobre o qual terá que propor ações se eleito.

“O Orçamento é R$ 9 bilhões. Belo Horizonte aguarda controle de enchente, túnel e obras do Orçamento Participativo, além de recursos para o Hospital do Barreiro”, disse Malheiros, que costuma se locomover de carro ou táxi.

O deputado estadual Paulo Lamac (Rede) admitiu não ter pleno conhecimento das obras em andamento na cidade, citando apenas o caso de um centro de saúde que aguarda recursos. Apesar disso, demonstrou estar ciente dos principais desafios da mobilidade urbana da capital.

“Não basta colocar os elementos (como o Move e as bicicletas compartilhadas) na cidade, porque eles não se integram sozinhos. São boas ideias com conexões insuficientes para se transformar em ações efetivas”.

Apesar de ter muitos projetos para sua possível gestão, o deputado estadual Sargento Rodrigues (PDT) diz não saber qual o Orçamento da capital. “Estou com o plano de governo nas mãos, com esse levantamento. Vou estudar agora. Mas não prevejo gastos astronômicos, só coisas factíveis”.

Rodrigues diz que já usou o Move. “É bom, mas não tem o mesmo número de linhas para fazer o complemento (nos bairros)”, avalia. Ele diz ainda que vai andar de metrô para “conhecer”. “Não uso há muitos anos”.

A “cola” sobre BH

Orçamento. Segundo a Lei de Diretrizes Orçamentárias – já aprovada na Câmara, mas que ainda pode sofrer ajustes –, o Orçamento estimado da capital para 2017 é de R$ 10,8 bilhões. Em 2016, a estimativa era de um Orçamento de R$ 12,2 bilhões, que, por conta da crise, não deve ser atingida.

Mobilidade. As principais linhas de ônibus de BH têm tarifa de R$ 3,70. Já o bilhete do metrô custa hoje R$ 1,80.

Obras. Entre as obras mais aguardadas na cidade estão: expansão do metrô, Anel Rodoviário, Via 710, centros de saúde e contenção de córregos.

CONHECIMENTO

Mulheres têm outras dúvidas sobre BH

As duas mulheres na disputa tiveram dificuldades diferentes daquelas da maioria dos homens, que cravou o Orçamento, mas não soube o valor da passagem. Maria da Consolação (PSOL) acertou o preço do transporte público, que ela tem costume de usar diariamente. “Temos que pensar em uma cidade que não seja só dos carros. A prioridade tem que ser o transporte coletivo, discutido com a região metropolitana e integrando um meio com o outro”. Por outro lado, não conhece o Orçamento.

Já Vanessa Portugal (PSTU) fez uma estimativa abaixo do real: R$ 7 bilhões. Ela transita pela cidade de ônibus e carro e sabe o valor do bilhete. “As pessoas sofrem com o problema das grandes cidades, da ausência de outros meios que não o rodoviário, além do trânsito caótico”, disse. Ela, porém, disse que não tinha um panorama muito amplo de obras, listando só o metrô. (TT/LM)

CAIXA

Orçamento é mais conhecido

FOTO: LEO FONTES – 27.5.2015
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Pré-candidatos à PBH têm mais informação sobre arrecadação

O deputado federal Reginaldo Lopes (PT) diz que já andou de Move, mas desconhece o valor da passagem. Ele demonstrou conhecer poucas obras da cidade, citando a Via 710 e o viaduto da Lagoinha. “Ando mais de carro, bicicleta e táxi. O transporte público precisa de mais faixas exclusivas”. Por outro lado, citou valor próximo ao do Orçamento: R$ 9 bilhões. “A folha representa 43%, a cidade tem liquidez. O problema é que se gasta mal”, diz o petista.

Alexandre Kalil (PHS) também desconhece o custo dos bilhetes. Ele conta que não utiliza o transporte público. “O trânsito é um problema que se resolve com obras. Precisamos do metrô. Mas tem que ter coragem de cobrar isso em Brasília”. Assim como o rival petista, Kalil tem  noção aproximada do Orçamento, que estimou em R$ 13 bilhões, “mas deve cair”.

O deputado federal Eros Biondini (PROS) não soube detalhar os principais gargalos do sistema Move, mas demonstrou ter conhecimento sobre o Orçamento. “R$ 10 bilhões é um Orçamento grande. A lógica é trazer dinheiro novo, aproveitar o potencial de turismo gastronômico, religioso e de negócios da cidade e (reduzir) cargos de apadrinhamento político”.

Marcelo Álvaro Antônio (PR) também foi quase certeiro quanto ao Orçamento: R$ 10 bilhões. Ele afirma que já andou no Move, “precisa melhorar a capilaridade do sistema”. Ele não sabia o custo da passagem. “As retenções precisam melhorar”, disse. Sobre obras, ele se lembrou apenas do metrô. (TT/LM)

Bastidores

Consulta. Durante as entrevistas, ficou nítido que muitos pré-candidatos faziam pesquisas sobre as perguntas que eram feitas para conseguir acertar as respostas. Algumas vezes, por exemplo, o entrevistado gaguejava ao ser questionado sobre os valores das passagens e somente no fim da entrevista, quando o assunto já era outro, falava repentinamente os preços.

Constrangimento. Um dos pré-candidatos, ao não saber uma resposta, chegou a questionar: “Mas isso vai sair mesmo no jornal?