“Moro, guerreiro do povo brasileiro” é uma das frases entoadas pelos milhares de manifestantes que ocuparam a Praça da Liberdade, na região Centro-Sul da capital, na noite desta quinta-feira (17). Gritos de “fora PT” foram entoados em frente ao Palácio da Liberdade. Alguns rojões são explodidos ao longo do trajeto percorrido pelos manifestantes, que se concentram na Savassi.

Alguns desceram a avenida Brasil rumo à Afonso Pena e fizeram um ato em frente à sede do Ministério Público. O grupo também circulou pela rua Rio Grande do Norte.

“Não me interessa quem vai assumir. Eu prefiro um rato à Dilma. Prefiro um cachorro presidente do que alguém do PT”, rechaça o presidente da Associação Comunitária Juntos pelo Progresso do Distrito de Venda Nova e Adjacências, Alair Pacheco.

Alair, que é torneiro mecânico, está desempregado. “Nao tenho emprego por culpa do PT. Não consigo escrever corrupção sem escrever PT”, diz.

Às 20 horas, os manifestantes começaram a descer a avenida Cristóvão Colombo em direção à Savassi ocupando todas as faixas da via. O percurso durou cerca de uma hora, quando os manifestantes retornaram à praça da Liberdade e, em seguida, desceram a avenida João Pinheiro em direção à praça Sete.

Redes Sociais

Os participantes foram convocados pelas redes sociais e grupos de amigos, conforme Pedro Auarek, de 23 anos, um dos organizadores da mobilização. “O que está acontecendo na prova é tão absurdo que não precisa convocar ninguém mais. A praça da Liberdade é o ponto de encontro contra a corrupção”, diz.

Quatro mil pessoas participam do protesto, conforme o organizador. A Polícia Militar (PM) acompanha os manifestantes, mas não estimou o número de adesões.

A intenção é a de que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva seja preso e a preside Dilma Rousseff deixe o poder, comenta Auarek. “Nao interessa como ela vai sair. Se vai renunciar, se por impeachment, o importante é que ela saia”, enfatiza.

Buzinaço

Muitos motoristas que passam pelos manifestantes buzinam para demonstrar apoio à manifestação. De acordo com Sérgio Henrique Fernandes, consultor de vendas de 21 anos, o ideal é que Dilma e o vice-presidente, Michel Temer, deixem o poder.

Questionado sobre a possibilidade de Eduardo Cunha, o próximo na linha sucessória, assumir, ele é enfático. “Têm que sair todos. Ninguém tem condições de governar. Todos são corruptos”, critica.

O consultor tecnológico Sandro Torres, de 47 anos, defende uma “intervenção constitucional”. “O exército assume até que uma nova assembleia constituinte seja realizada. Depois que o país estiver limpo, fazemos novas eleições”, explica.