O presidente do PSDB em Belo Horizonte, Reinaldo Alves Costa, desautorizou ontem o ouvidor da prefeitura da capital, Saulo Amaral, que determinou que militantes da legenda atacassem o jornal O TEMPO e a credibilidade da pesquisaDataTempo/CP2, que mostrou empate técnico entre João Leite e Alexandre Kalil.

No domingo, imagens de uma conversa de WhatsApp em um grupo de voluntários da campanha tucana mostraram a ordem de Saulo, que dizia repassar um pedido do comandante do partido na cidade.

Saulo Amaral, que foi coordenador de voluntariado da campanha de Aécio Neves ao Planalto em 2014, de acordo com o site do PSDB mineiro, dá as instruções aos militantes. “Pessoal, precisamos de todo mundo entrando na postagem do Tempo criticando a pesquisa, lembrando que duas vezes foi impugnada etc. e que João é melhor que Kalil”, orienta.

Após não ser localizado no domingo, o presidente do PSDB em Belo Horizonte, entrou em contato com a reportagem ontem para negar ter dado qualquer tipo de orientação para que a militância do partido se manifestasse contrária à pesquisa.

“Não tenho nada com isso. Nem do WhatsApp eu participo. Sou conservador nessas coisas, nem participo de redes sociais. Fiquei muito sentido. Não sei de onde tiraram isso. Quem sou eu para questionar o trabalho do outro”, disse.

Ainda segundo o presidente municipal da legenda, ele conhece Saulo Amaral, mas não tem intimidade com o ouvidor da PBH: “Não sei de onde ele tirou isso.”

A Prefeitura de Belo Horizonte informou que não iria se pronunciar, pois o ouvidor “teve uma atitude política como um cidadão comum, que não tomou nenhuma providência em nome da Prefeitura de Belo Horizonte”.

Procurado desde domingo, Saulo Amaral continua sem atender as ligações da reportagem, embora seu número tenha sido confirmado por uma fonte.

A despeito das críticas orquestradas, o DataTempo/CP2 foi o único a acertar o resultado dos dois primeiros colocados no primeiro turno não apenas na capital, mas também em Contagem, Betim e Ipatinga, onde foram feitos levantamentos. Uma pesquisa anterior do DataTempo foi impugnada não por erros na amostragem ou no resultado, mas por falha no registro, o que não comprometeu os índices.

No caso de Belo Horizonte, o instituto apontou, dois dias antes das eleições, João Leite com 26,4% dos votos totais no levantamento, que tinha margem de erro de 3,56 pontos percentuais para mais, ou para menos. Nas urnas, o tucano registrou 26,2%. No caso de Kalil, o DataTempo apontou um índice de 19,2%, e as urnas mostraram 20,8%.